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Adoecer pode ser uma experiência de vida
Por J. J. Camargo
Não se trata do desejo de que alguém adoeça para fazer da sua experiência pessoal um contraponto para nossa rotina de médicos saudáveis, mas sim de considerar que se possa transformar uma experiência originalmente assustadora numa forma didática de aprendizado.
Habituados a décadas de atividade médica, sempre no lado bom da relação médico/paciente, protegidos pelo cercadinho da saúde, é compreensível que tenhamos uma visão distorcida do adoecer quando ficamos inesperadamente no centro dos acontecimentos e, pela primeira vez, impedidos de transferir para alguém o protagonismo de uma doença exclusivamente nossa.
Como o medo do desconhecido é inerente mesmo ao ser humano mais primitivo, não faz o menor sentido a intenção do médico de convencer-nos do contrário. Mas como essa não é hora de ostentar prepotência, não custa nada valorizarmos o esforço que o profissional faz para nos tranquilizar. Na mesma medida, é adequado que tenhamos um comportamento receptivo ___ mensagens otimistas dos amigos, relevando a enxurrada de clichês, porque, afinal, antipatia nessa hora não é recomendável, e ninguém vai adivinhar que suas mensagens cheias de esperança tiveram impacto zero nas nossas noites de insônia.
A primeira percepção que temos é que todas as doenças, quando nossas, parecerão gravíssimas, e é bobagem tentar convencer o portador do contrário. A caminho do hospital, recomenda-se silêncio total ___ tropa de apoio emocional, porque não há tarefa mais inglória do que tentar distrair um sofredor. A intolerância ao papo tranquilizador é absoluta, acrescentando irritação ___ quem tenta administrar os surtos recorrentes de pânico.
A tentativa do paciente de racionalizar seu próprio medo, que se apresenta de permeio com espasmos de valentia, também é contraditória, e pensamentos racionais como, por exemplo, fornecer o segredo do cofre ao filho mais velho são imediatamente neutralizados pela consciência de que essa providência, de aparência racional, poderia ter dupla interpretação, nenhuma delas lisonjeira, e a conclusão silenciosa é previsível: “Danem-se! Se der tudo errado, que arrombem o cofre!”.
Como o hospital em que serão tratados passará a fazer parte da memória afetiva deles, é melhor que valorizemos os detalhes, porque esses farão toda a diferença nos seus registros emocionais, e então comecemos pela admissão, confiando que a primeira impressão é a que fica.
E aqui a primeira constatação positiva: é possível banir a burocracia da internação hospitalar, desde que as pessoas sejam objetivas e bem treinadas. A descoberta de que é possível chegar ao leito da internação em tempo menor do que a muitos acessos ao teatro desfaz o estigma de que o processo é inevitavelmente lento.
A rotina tecnicamente perfeita, que obriga o paciente a repetir seu nome completo e a data do nascimento umas 20 vezes por dia, carrega a noção da importância da checagem constante como prevenção do erro. Mas, sem dúvida, a mais eficiente estratégia para conquistar o cliente é a sensação permanente de que ele está sendo cuidado por pessoas selecionadas por inteligência emocional e empenhadas em dar ao paciente, não importa quem ele seja, a certeza de que seu médico ter escolhido aquele hospital não teve nada de causalidade.
Analise as assertivas a seguir a respeito da palavra “en....urrada” (l. 13):
I. O espaço pontilhado deve ser preenchido com as letras “ch”.
II. Trata-se de uso figurativo da palavra, com o significado de “grande quantidade”.
III. Trata-se de substantivo feminino invariável em relação ao gênero.
Quais estão corretas?