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Se você é um consumidor de programas de televisão, provavelmente você já se viu preso em algum reality show. Como a própria tradução literal diz, esses “programas de realidade” costumam mostrar pessoas reais em situações inusitadas, como procurar um novo amor, se descobrir um cantor ou cozinheiro, ou simplesmente estar confinado em uma casa com vários outros desconhecidos e câmeras por todos os lados.
Por mais que os reality shows sejam roteirizados e muitos dos acontecimentos dependam do desejo dos produtores, não há como negar que as pessoas acabam mostrando nesses programas o máximo de sua vulnerabilidade, atraindo a atenção do público que, muitas vezes, assiste com pedras na mão, pronto para criticar.
Com a fórmula dos reality shows ainda funcionando — e nós ainda assistindo —, fica a dúvida sobre o que realmente nos chama a atenção nisso. Gostamos de consumir um entretenimento que não tem muito a acrescentar, dependendo do ponto de vista? Gostamos de "cuidar" da vida dos outros e nos comparar? Seja qual for a explicação, está dando certo.
O Canaltech conversou com a psicóloga de análise comportamental Kimberly Ferreti Pereira, que contou que são vários os fatores que podem influenciar o gosto do público pelos reality shows, dizendo que pode estar relacionado à representatividade, pois um entretenimento com “pessoas reais” acaba trazendo um outro tipo de interesse. “Outro ponto pode ser a alienação, que nos mantém afastados de nós mesmos e ligados ao mundo. Algumas pessoas não conseguem, não querem ou até não foram ensinadas a lidar com suas questões de vida, e alienar-se ao consumir a vida dos outros na tela de uma televisão ou celular parece suprir esse vazio”, destaca a profissional.
Entendemos que a vontade de acompanhar a vida dos outros acaba sendo natural do ser humano, como uma curiosidade despertada como consequência da sociedade em que vivemos. Alienar-nos e assistir a conteúdos que, na teoria, não nos acrescentam culturamente, pode acabar sendo uma surpresa e trazer questões sobre a nossa postura como seres humanos.
Além disso não é de todo mal se alienar e focar na vida de outras pessoas como forma de entretenimento, visto que a vida é tão dura que qualquer forma de escape na televisão, cinema ou literatura é bem-vinda.
A palavra “escape” (l. 27) apresenta uma ideia de: