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De olho no futuro do planeta, Leandro Roque de Oliveira decidiu olhar para o passado. No documentário “AmarElo – É Tudo pra Ontem”, o músico conhecido como Emicida, com muita música e poesia compõe uma história que mostra como os negros construíram a cultura brasileira. O longa aproveita o show que o cantor fez no Theatro Municipal de São Paulo e utiliza músicas como Principia, Pantera Negra, Ismália e a própria AmarElo, como costura para apresentar ao público o real valor de nomes como o ativista Abdias do Nascimento, a atriz Ruth de Souza, o escritor Oswald de Andrade, a sambista Leci Brandão e a vereadora Marielle Franco.
Na preparação para o show, Emicida ressaltou que boa parte do público estava entrando no principal teatro de São Paulo de maneira inédita: "Minha avó, de 80 anos, vai lá pela primeira vez. Vários daqueles moleques e meninas que vão nunca pisaram no Municipal. Por isso, é importante cravar esse lugar físico.", disse no documentário. “AmarElo” chegou a ser pensado como um longa a ser lançado nos cinemas, mas os planos mudaram e não só por causa do novo coronavírus. "Se a gente tivesse negociado para o cinema, não ia ter esse alcance de 190 países", conta Emicida. "Muitas pessoas até entendem a cultura do Brasil, mas não compreendem a origem dessa cultura, a participação dos pretos em todo o processo. Então, a gente está dando esse presente para elas."
A pandemia também forçou a equipe de “AmarElo” a trabalhar de maneira diferente, pois o documentário foi editado e montado remotamente. "Tinha semana que a gente ficava até meia-noite ou 1h no Zoom discutindo alguma coisa do filme para, no dia seguinte, fazer tudo de novo. Foi tipo trocar a roda de um carro, mas com o veículo em movimento, no meio de uma pandemia e desviando de zumbis (risos)" define o diretor Fred Ouro Preto na reportagem. Adiar o lançamento do longa, porém, nunca passou pela cabeça da equipe. "Era muito importante soltar esse filme na Netflix ainda neste ano, por tudo o que ele representa", justifica Ouro Preto. "O “AmarElo” não existe por acaso. Eu compartilho coisas boas porque sei que as pessoas vão sair desse filme buscando soluções e não problemas. Optar pela positividade é um bálsamo em um ano tão difícil", completa Emicida.
"Por mais angustiante que seja a nossa situação atual, as pessoas retratadas [no longa] enfrentaram um país muito pior do que o nosso. O sol vai nascer de novo e nós vamos ter outro dia. Se a vida é gigante, por que nós vamos ser pequenos?", filosofa o rapper.
Em “Foi tipo trocar a roda de um carro, mas com o veículo em movimento, ...” (l. 20), é possível identificarmos qual figura de linguagem?