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Estratégias de leitura: mensagens explícitas e implícitas
Por Ana Cláudia Santos
Em um texto cabem inspirações inimagináveis. Por meio dele, temos acesso direto ao empírico, mas também ao acadêmico, ao poético. Um plano observável de configurações concretas e abstratas, concomitantemente.
Discurso, por sua vez, é a instância em que o texto se realiza, refletindo a história, a ideologia, o psíquico, o fruto da interação entre sujeitos em situações concretas.
Texto e discurso se mesclam e estabelecem um diálogo que se transforma em um fenômeno temporal de troca. Para a professora Antónia Coutinho (2004), o discurso é “prática linguística codificada, associada a uma prática social (socioinstitucional) historicamente situada”.
Entendemos que o discurso nos leva aos implícitos textuais, àquilo que não foi dito e espera ser descoberto por meio de um processo de interlocução.
Assim, vamos recapitular o que os anos 2000 traziam consigo: “o bug do milênio”, o prenúncio do apocalipse que nossos alunos não conheceram. A passagem provocou medo e profecias dramáticas. No entanto, tudo isso fazia parte de uma catástrofe que, sob a mudança de milênio, não aconteceu.
Se o fim do mundo fosse noticiado, teria várias conotações e, cartografando algumas delas, encontramos o fim do mundo na mídia que ainda circula pela internet tratando com humor os perfis de jornais e revistas e fazendo um exercício de imaginar como seriam as manchetes para a fatídica data levando em conta a linha editorial de cada um deles.
Uma brincadeira que nos estimula a uma reflexão sobre o que os discursos nos comunicam, sua interação ideológica e intencional. Assim, sugiro que você convide sua turma a ler manchetes sobre uma mesma temática e analisar as entrelinhas propostas pelo veículo usado para comunicar a informação.
Acione em seus alunos habilidades motivadas pelas condições de produção do discurso. Peça que escolham uma história – pode ser um conto ou uma fábula – e recriem o discurso conforme a análise que fizeram previamente em relação aos mecanismos propagados pela mídia e qual as intenções pretendem comunicar por meio do discurso.
O linguista francês Jean-Michel Adam afirma que “não diremos jamais que um texto ou um discurso é composto de frases. A própria existência de frases tipográficas (como os parágrafos, os períodos, as sequências e os textos) resulta de escolhas instrucionais plurideterminadas”.
“Se o fim do mundo fosse noticiado, teria várias conotações e, cartografando algumas delas, encontramos o fim do mundo na mídia que ainda circula pela internet tratando com humor os perfis de jornais e revistas e fazendo um exercício de imaginar como seriam as manchetes para a fatídica data levando em conta a linha editorial de cada um deles”. Em relação ao fragmento do texto apresentado e à luz do que preconiza Cegalla, analise as assertivas a seguir, assinalando V, se verdadeiras, ou F, se falsas.
( ) “Se” é uma conjunção adverbial condicional, podendo ser substituída, sem necessidade de ajuste à estrutura da frase, por “Se caso”.
( ) A oração desenvolvida “embora cartografássemos algumas delas”, classificada como subordinada adverbial concessiva, substituiria perfeita e corretamente “cartografando algumas delas”, sem provocar alteração de sentido ou necessidade de ajustes ao período.
( ) A palavra “que” é um pronome relativo, cujo referente o antecede; trata-se de um elemento que introduz uma oração subordinada adjetiva restritiva.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é: