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Arteterapia é um tipo de tratamento terapêutico já reconhecido pela Organização Mundial da Saúde e pela legislação brasileira. Baseada na crença que o autoconhecimento pode ser uma forma de cura, a arteterapia trabalha com a criação e expressão artística nos mais variados campos, seja por meio de pintura, música, escultura, colagem, dança ou de artesanato: quanto mais uma pessoa conhece a si mesma, mais fácil é identificar quais são seus problemas e como enfrentá-los. Esse autoconhecimento, portanto, vem por meio da arte.
Como explica a psicóloga e doutoranda em Psicologia Clínica pela USP, Erika Rodrigues Colombo, “a arte propicia essa expressão mais fundamental, acessando nossa afetividade de forma menos elaborada. É aí que conseguimos fazer emergir conteúdos que, de forma racional, por exemplo, pela nossa fala, seriam mais difíceis de acessar ou isso levaria muito mais tempo. Então, esse efeito benéfico, essa transformação, vem da possibilidade de a gente conseguir entrar em contato mais direto com a nossa afetividade”.
Um relatório produzido pelo Escritório Regional para a Europa da Organização Mundial da Saúde concluiu que a arteterapia tem resultados positivos tanto na melhoria da saúde mental como na saúde física, por meio da promoção de um hábito saudável de cuidados. Ela ajuda o desenvolvimento das crianças, a prevenir a piora de doenças, pessoas com saúde mental comprometida ou com doenças diagnosticadas e pessoas com desordens neurológicas e em cuidados paliativos (final da vida).
A doença de Parkinson, que atinge cerca de 1% da população mundial, mostra melhorias clínicas significativas por meio da arteterapia, enquanto os efeitos colaterais do tratamento de câncer, como falta de apetite, sonolência e náusea diminuem. Também, a prática melhora o bem-estar daqueles com depressão ou demência, síndrome que causa declínio das habilidades cognitivas. Atualmente, calcula-se que a doença acometa 55 milhões de pessoas no mundo, e esse número pode chegar a 139 milhões em 2050.
“Pessoas com Alzheimer, por exemplo, têm bons resultados trabalhando com música, principalmente aquelas que têm significado afetivo para aquela pessoa. É uma forma dela entrar em contato com essas memórias que vão ficando perdidas com o desenvolvimento da doença”, explica a psicóloga.
A arte estimula o cognitivo, a imaginação, a criatividade e ativa os sentidos sensoriais. Isso tem impactos na sociabilidade e no comportamento daqueles expostos ou participantes da arteterapia. Outro aspecto dessa forma de tratamento, salientada por Erika, é a capacidade que diferentes texturas e práticas artísticas têm de causar diferentes resultados.
Um estudo da Associação Americana de Arteterapia, que entrevistou 623 profissionais da área, constatou que 53,1% deles continuaram a trabalhar presencialmente durante a pandemia de Covid-19, na época do lockdown mundial. Dentre esses, 64,5% dizem ter sido considerados trabalhadores essenciais. Isso indica que, mesmo que haja uma resistência, esse tipo de terapia é bem aceita e indispensável entre seus adeptos.
Para ser um arteterapeuta, é preciso ser licenciado e profissional de Psicologia ou Psiquiatria formado. Não se trata de qualquer um que pode aplicar esse tipo de terapia e, mesmo que até uma ida ao museu funcione como parte da melhora cognitiva e física, toda a terapia tem que ser assistida e acompanhada por um profissional. Caso contrário, os efeitos não serão completos.
Assinale a alternativa que apresenta a preposição que preenche corretamente a lacuna pontilhada na linha 02.