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“Novelas da Globo aumentam o número de divórcios no Brasil”. Parece fake news de haters, mas não. Trata-se de um dado histórico. A conclusão é de um estudo de 2009, feito pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O que os estudiosos do BID não poderiam prever é o quanto os divórcios aumentariam no Brasil do século 21, por um motivo ainda mais insuspeito: a disseminação de um vírus.
Segundo o Colégio Notarial do Brasil, que congrega os tabeliães de notas e protestos, no primeiro ano da pandemia, em 2020, houve um aumento de 15% no número de divórcios em comparação com o ano anterior. Em 2021, então, o número de casais que oficializaram a separação bateu recorde: 80.573 divórcios consensuais, o maior da série histórica, que é registrada desde 2007.
Um crescimento bastante expressivo. Mas não tanto quanto o que aconteceu no Reino Unido. Principal escritório de advocacia britânico com foco em litígios, o Stewarts, registrou em 2020 um aumento de 122% nos tratos de divórcio em relação ao ano anterior.
Na China, onde os números costumam ser superlativos – e drones monitoravam ruas durante os lockdowns para garantir que ninguém saísse de casa –, houve 8,6 milhões de divórcios em 2020, segundo o Ministério de Assuntos Civis. Outro recorde: quase o dobro das separações que aconteceram em 2019.
Sim, o início desnorteante da pandemia foi o gatilho para um boom de divórcios planeta afora. Motivos para a escalada nas tensões entre casais não faltaram, você sabe: o encarceramento no lar de ambos os cônjuges (condição que se estendeu indefinidamente para quem aderiu ao home office), perrengues financeiros, a necessidade de lidar com as crianças estudando em casa, distúrbios psicológicos (ansiedade, depressão, paranoia…).
Ao impor uma coabitação 24 horas por dia, a pandemia expôs o desafio que é lidar com o marido ou a esposa o dia inteiro: não dava mais para desviar os olhos dos defeitos do outro, seus maus humores, implicâncias e pequenas manias irritantes.
Nos EUA, porém, o fenômeno não ocorreu. O número de divórcios diminuiu durante a fase mais aguda da pandemia: de 2,7 separações em 2019 para 2,3 em 2020 (confirmando uma redução que já vinha ocorrendo ano a ano; em 2000, por exemplo, eram 4,0).
Mas algo indica que pelo menos pensar mais em separar eles pensaram. A empresa americana Legal Templates, especializada em gerenciamento de contratos, fez um levantamento dos dados de seus clientes e identificou um aumento de 34% nas vendas de seu “acordo básico de divórcio” na primeira metade de 2020, em comparação com o mesmo período de 2019.
O levantamento mostra outro ponto, que provavelmente se aplica ao resto do planeta. Os casais que mais se divorciaram na pandemia foram aqueles que ainda não estavam tão habituados assim um com o outro.
A Legal Templates mostrou que os casados há menos de cinco anos foram os que mais se separaram em 2020: 58%. Aliás, quanto menor o tempo de união oficial, maior o aumento no índice de cada um para o seu lado. Enquanto, em 2019, pré-Covid, apenas 11% dos que se separaram tinham menos de cinco meses sob o mesmo teto, em 2020 essa porcentagem quase dobrou: foi para 20%.
Estudiosos que analisaram esses dados chegaram a uma conclusão que faz sentido: casais que haviam se unido havia pouco tempo são menos calejados para enfrentar o maremoto que atingiu a praia conjugal na onda do vírus. Os parceiros mais longevos já tinham passado por outras crises. Talvez ilesos, talvez feridos. E muitos aprenderam a sair delas juntos.
Aprendemos todos nós, aliás. Os porquês desse boom “separatista” e suas consequências levaram a um escrutínio por parte da comunidade científica, de onde emergiu uma montanha de evidências que trazem luz à questão – algumas, surpreendentemente, contrariando o senso comum.
Assinale a alternativa que indica o número de preposições presentes no trecho a seguir. Considere também as preposições que possam aparecer combinadas ou contraídas a outras palavras.
“O número de divórcios diminuiu durante a fase mais aguda da pandemia: de 2,7 separações em 2019 para 2,3 em 2020”.