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A complexidade do uso de drogas remonta aos primórdios da humanidade, desde quando o homem tem criado e utilizado substâncias para cuidar dos seus semelhantes e também para seu uso lúdico. A forma de uso dessas substâncias inclui maneiras e adaptações para que as pessoas se sintam melhores após o uso, ou seja, para que elas não tenham sentimentos desagradáveis. O termo droga tem sua origem na palavra droog (holandês antigo) que significa folha seca, isto é, antigamente, a maioria dos medicamentos era à base de vegetais.
Segundo a definição da Organização Mundial de Saúde, droga é qualquer substância capaz de modificar a função dos organismos vivos, resultando em mudanças fisiológicas ou de comportamento.
Contudo, se nos referirmos à história das drogas, observaremos inúmeros relatos sobre as tentativas de minimizar os efeitos maléficos do uso de algumas substâncias. Na Idade Média, por exemplo, temos relatos sobre a melhor forma de beber vinho e também sobre a ingestão de alguns alucinógenos. Assim, podemos pensar que sempre houve uma preocupação com a maneira de ingerir drogas, e essa preocupação já nos dá uma noção, ainda que preliminar, da redução de danos à saúde associados ao seu uso.
Segundo a Associação Internacional de Redução de Danos (IRHA), “Redução de Danos é um conjunto de políticas e práticas cujo objetivo é reduzir os danos associados ao uso de drogas psicoativas em pessoas que não podem ou não querem parar de usar drogas. Por definição, redução de danos foca na prevenção aos danos, ao invés da prevenção do uso de drogas; bem como foca em pessoas que seguem usando drogas”.
Foi a partir de 1926, na Inglaterra, com a publicação do Relatório Rolleston que a RD teve seu marco inicial. Esse relatório foi elaborado por um grupo de médicos que indicava que a melhor maneira de tratar pacientes dependentes de morfina ou heroína era promover a administração das drogas por um médico, que deveria, além de prescrever, monitorar o uso dessas substâncias naquela pessoa. Esse relatório foi um marco porque defendia que não se poderia tratar dependentes impondo-lhes a abstinência de forma abrupta; recomendava o acompanhamento dos usuários que desejavam se abster do uso de morfina ou heroína de forma a propiciar um alívio dos sintomas da abstinência ou ajudando na administração das drogas aos que queriam continuar usando-as.
A redução de danos é um conjunto de estratégias que tem por objetivo a oferta de alternativas de cuidados à saúde que possam ser adotadas sem abandonar a prática do uso de drogas. Ou seja, enquanto não for possível a adoção da abstinência, outros riscos à saúde podem ser evitados, como, por exemplo, as doenças infectocontagiosas transmissíveis por via sanguínea, como é o caso do HIV/AIDS, hepatites e sífilis. Essa abordagem leva em consideração a complexidade do fenômeno, a diversidade dos usos e as particularidades culturais dos usuários, possibilitando, desta forma, uma melhor compreensão da hierarquia de riscos no cotidiano do uso de drogas.
A redução de danos parte do pressuposto de que é impossível acabar com as drogas no mundo, eliminando totalmente seu consumo. Comporta ações voltadas para as drogas lícitas e ilícitas e suas intervenções não são controladas exclusivamente pelos órgãos governamentais e policiais. Diferencia-se, portanto, do modelo preventivo tradicional que, ao desconsiderar a complexidade que envolve os diferentes usos de drogas, busca um objetivo unívoco: a abstinência, meta idealizada e restritiva. A redução de danos está fundamentada nos princípios democráticos, na cidadania, nos direitos humanos e de saúde.
Assinale a alternativa na qual a formação de locução adjetiva, a partir do adjetivo sublinhado, esteja INCORRETA.