///
Aos 14 anos, após participar de um desfile pelo aniversário da cidade e caminhar bastante pelas ruas, a advogada Vanessa Auler Toscano, 45, sentiu muitas dores nos pés, joelhos e cotovelos, como nunca havia sentido antes. "Quase não consegui andar no final do dia, mas imaginei que seria por causa dos movimentos realizados em excesso. Porém, na manhã seguinte acordei com uma rigidez no corpo todo, com dores fortíssimas no ombro, quadris e pés, além de inchaço e vermelhidão nas articulações das mãos, nos cotovelos e joelhos", conta.
Na época, seu irmão era estudante de Medicina e suspeitou se tratar de uma doença reumatológica. Após consulta com a pediatra, foi encaminhada a uma especialista e realizou diversos exames que confirmaram o diagnóstico: artrite idiopática juvenil poliarticular. Trata-se de uma doença inflamatória crônica que acomete as articulações e provoca, além de dores intensas, inchaço, diminuição da amplitude de movimento e rigidez. "Além disso, compromete a qualidade de vida e as emoções dos pacientes, podendo desencadear fadiga, ansiedade e depressão", explica Marco Antônio Araújo da Rocha Loures, presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR).
Mesmo com todas as dificuldades, Vanessa conseguiu concluir a faculdade de Direito, tornando-se advogada na área do Direito da Saúde, acessibilidade e inclusão. "Ainda é muito difícil para os pacientes reumatológicos, com mobilidade reduzida, muitas vezes não perceptíveis, pois ‘quem vê cara, não vê articulação’, se inserir no mercado de trabalho", afirma.
Qualquer situação de doença mobiliza o reconhecimento dos limites do corpo. "Costumamos pensar no nosso organismo vivo, mas a doença nos aponta o risco da morte, da perda do que, para muitos de nós, é o maior bem: a vida. Isso já é suficiente para uma possível desorganização emocional", afirma Luciana Martins Quixadá, professora do curso de Psicologia e do Programa de Pós-Graduação em Cuidados Clínicos em Enfermagem e Saúde da Universidade Estadual do Ceará (UECE).
Para lidar com a doença, busca-se ajuda médica e, na maioria das vezes, obtém-se alguma solução. Há casos, no entanto, em que essa ajuda não alcança uma cura, mas busca a promoção da saúde ou do bem-estar, apesar da doença, seja através de cuidados paliativos, seja através de medicamentos que aliviam sintomas crônicos e recorrentes.
Segundo Quixadá, lidar com essa limitação de não poder realizar ou do risco de não realizar essas demandas que a cultura impõe é algo que pode levar a prejuízos importantes também na saúde mental. "Ou seja, além da doença crônica, é preciso enfrentar seus próprios fantasmas sobre o que é saúde e o que é doença, a partir de suas vivências. Desse modo, vale ressaltar que a experiência de conviver com uma doença crônica não será igual para todo mundo e, para aqueles que precisam de apoio para lidar com um adoecimento mental decorrente disso, vale pedir ajuda profissional para restabelecer a qualidade de vida", enfatiza.
O auxílio psicológico tem uma função importante nesse processo, pois a linguagem organiza o pensamento e as emoções. "A criação de um espaço em que um fala e o outro atua como seu interlocutor estabelece processos simbólicos que podem ajudar a ressignificar a experiência da doença", diz Quixadá.
Assinale a alternativa que apresenta palavra de sentido semelhante ao de “paliativos” (l. 27), considerando seu contexto de ocorrência.