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Nem sempre as redes sociais parecem uma sesmaria pronta para acolher as plantações do ódio e das notícias falsas. E...etuando os robôs, são espaços sustentados por pessoas. Há os inconvenientes, arrogantes e intolerantes, é verdade. Outros tantos e tantas são doces, amáveis, inteligentes e sensíveis. Nem tudo está perdido. Basta bloquear alguns para despoluir a linha do tempo. Por isso, quando acordo vou logo beber as águas cristalinas das minhas redes. É sempre o meu primeiro café.
Um desses meus contatos preciosos é o escritor Antônio Torres. Não é o único, citaria vários. Inteligência e sensibilidade é privilégio dos raros – que não são poucos, ainda bem. O bom baiano Antônio Torres é uma personalidade muito especial. Um ser delicado e contundente. Autor premiadíssimo de dezenas de livros. “Um cão uivando pra lua, Balada da infância perdida e Pelo fundo da agulha” são alguns dos seus títulos publicados. É o oitavo ocupante da cadeira 23 na Academia Brasileira de Letras – ABL.
Dia desses acordei repentinamente e peguei o smartphone para conferir a hora. Eram exatamente 1:22h. Madrugada menina. Longe do meu hábito de acordar ___ 04:30h. Abri o Facebook e o sono foi engolido. Fiquei cochilando e acordando até chegar ___ hora de pular da cama. Fui contaminado por uma frase do angolano José Eduardo Agualusa no jornal O Globo, republicada por Antônio Torres: “delicadeza é a arte de não ferir os outros”. Nos comentários, só elogios ao Antônio e ao Agualusa. Porém a escritora Raquel Naveira foi na jugular da leitura: “às vezes, nossa própria existência fere”.
Para algumas pessoas essa tal delicadeza não passa de uma estratégia de sedução. No fundo apenas tripudiam de tudo. Despem a pele do cordeiro para revelar o lobo. Pessoas delicadas são admiradas. Quem não quer ser admirável? A questão levantada por Raquel é lancinante, todavia. Merece a luz da ponderação. É claro que não faço qualquer tipo de comparação, pois não sei ainda o contexto da frase do Agualusa. Comparar e confundir é muito a cara de certas publicações. Decididamente não é o caso.
Realmente, “às vezes, a delicadeza fere”. Fere quando se mostra enquanto estratégia dissimulada e fere quando aparece numa analogia ao que Freud explica. Nunca sabemos de fato como e quando vamos ferir alguém. A delicadeza é uma colmeia de motivos. A meia verdade, ou é debilidade de caráter ou o preço da saúde emocional para uma convivência suportável. Hipocrisia nunca foi novidade na sociedade moderna. Escritores contemporâneos ou clássicos abordam esses estranhos contratos sociais. Não é __ toa que sempre guardamos alguma tempestade na garganta.
No mais, queria apenas falar do prazer de contar com pessoas preciosas nas minhas conexões. Pessoas que me fazem pensar, inclusive e principalmente sobre meus deslizes em atitudes e ideias. Gosto de manter meus atos no cabresto do que penso. Só se muda de atitude ao mudar o pensamento. Assim, de forma harmônica e indissolúvel, vou me conduzindo pelo mundo sem desistir de aprender. Aliás, precisamos viver esse verbo que é a cara de um homem delicado chamado Paulo Freire. E por falar em frase, que tal fechar citando Belchior? “Não me siga, eu também estou perdido”.
Assinale a alternativa que indica a correta função sintática do termo sublinhado na oração a seguir: “Hipocrisia nunca foi novidade na sociedade moderna”.