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Os riscos de se começar uma obra sem que seja feita uma boa análise do solo
Por Igor Pinheiro
Toda obra precisa começar com uma boa análise do solo para entender como se comporta quando uma pressão é aplicada sobre ele. Por isso, conhecer os tipos de solos é essencial, afinal só é possível fazer um bom dimensionamento e execução das fundações de uma estrutura conhecendo as características de cada tipo de solo. O terreno é parte fundamental de qualquer construção, visto que é ele que vai dar sustentação a todas as cargas vindas da edificação por meio das fundações. Não conhecer o solo em que se está construindo pode causar falhas nas fundações e trazer problemas graves durante e após a execução da obra.
Não existe obrigatoriedade de realização de sondagem para obras de pequeno porte, mas em construções um pouco maiores, em que as cargas aplicadas no solo são elevadas, ela é obrigatória para identificar as características do local. Apesar da sondagem não ser obrigatória para obras de pequeno porte, é interessante ter uma análise mínima do terreno para evitar acidentes futuros, como o do Morro do Bumba, em Niterói (RJ). Na região, diversas casas foram construídas em cima de um lixão desativado, o que tornou o solo instável, isso somado às chuvas no local, que fizeram com que diversas casas fossem levadas em um desabamento de terra.
Alguns tipos de solo são mais rígidos, e por isso muitas vezes não necessitam de fundações profundas; outros, entretanto, sofrem mais deformação. Nesse caso, a utilização de fundações profundas é necessária. Os tipos de solos, na realidade, se misturam de infinitas formas, fazendo de cada solo único. Por isso, cabe aos profissionais analisar e escolher a melhor fundação a ser usada. Os principais tipos de solos são: arenoso, siltoso e argiloso. Nós nunca encontraremos um solo que é totalmente de um tipo. Por exemplo, quando classificamos um solo como argiloso, estamos falando que a maior parte da sua composição é argila, mas não encontraremos nenhum solo que seja composto 100% por argila.
O solo arenoso é o tipo de solo composto predominantemente por areia. Ele se movimenta facilmente e é altamente permeável, o que representa um desafio para qualquer construção. Nesse tipo de solo, normalmente são usadas estacas. As mais comuns são as estacas de concreto armado e as estacas metálicas. Esse tipo de solo é resistente quando está confinado, ou seja, quando “ele não tem para onde escapar”, mas movimenta-se com muita facilidade. Então, escavações próximas ou mesmo o rebaixamento do lençol freático podem dar espaço para a movimentação do solo arenoso e acabar gerando problemas, como recalque nas fundações. Isso aconteceu na orla praiana de Santos (SP), em que prédios sofreram leve inclinação.
Já o solo siltoso possui granulometria menor que a da areia e maior que a da argila. Esses solos são considerados ruins para a construção civil, pois é difícil de se trabalhar neles em função da erosão e da desagregação corriqueiras. É necessário muito cuidado ao construir nesse tipo de solo, sendo __________________ fazer um estudo prévio com um geólogo para entender melhor o comportamento do solo e determinar o melhor tipo de fundação a ser usado. O solo siltoso forma lama com muita facilidade. Quando é usado em estradas, a lama é protuberante no período chuvoso e a poeira, no período seco.
Por fim, temos os solos argilosos. A argila tem a menor granulometria dentre os citados. O solo argiloso é o mais comum no Brasil. Considerado bom para construir, é bastante denso e se aglutina com facilidade. Isso faz com que seja um solo muito resistente quando é bem compactado e permite o uso de fundações rasas, como sapatas e radiers. Mas isso também vai depender do tamanho da obra. Além de ser um solo resistente, também é muito importante para a construção civil por ser a matéria-prima de muitos materiais amplamente usados em nosso país, como tijolos, telhas, pisos cerâmicos, etc.
A palavra “Niterói”, localizada no texto, continua sendo acentuada, porém há ditongos abertos em que foi abolido o emprego de acento agudo devido à vigência do Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. É o caso de: