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O discurso de que a velocidade da transformação digital em nossas sociedades está acelerando provavelmente já foi dito em outros eventos de educação. Durante a Digital Learning Week (em português, Semana de Aprendizagem Digital), evento realizado entre 4 e 7 de setembro em Paris, na França, a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) reforçou a necessidade de se olhar com cuidado para a “sociedade da plataforma” – contexto no qual a produção econômica, serviços públicos e privados, interações sociais e criação cultural estão sendo cada vez mais reorganizados em torno de plataformas digitais.
Ao avaliar o papel da Inteligência Artificial (IA) na educação, Antonia Wullf, coordenadora na Education International, criticou toda a promoção que tem sido feita em torno deste tipo de tecnologia, principalmente como solução para problemas de equidade, inclusão e qualidade da educação. Em seu entendimento, os problemas que empresas ou produtos de inteligência artificial buscam resolver precisam ser delimitados por educadores, que costumeiramente são deixados de lado neste tipo de discussão.
Outro ponto trazido por Antonia está ligado à autonomia do professor diante da popularização de tais ferramentas em escolas e universidades. “Como podemos chegar a uma situação em que os professores não sejam apenas capacitados, mas também credenciados a decidir como as ferramentas são utilizadas em nossas salas de aula? Como garantimos que a educação seja vista fundamentalmente como uma atividade humana, baseada na interação entre aluno e professor?”.
Entre outros riscos, Antonia considera que os novos tipos de Inteligência Artificial podem priorizar matérias facilmente quantificáveis, deixando de lado disciplinas que focam em valores como empatia. Apesar de reconhecer que diferentes países estão com o orçamento sob pressão e que seja tentador adotar IA como forma de reduzir custos, a especialista diz que governos podem não enxergar o outro lado, a necessidade urgente de programas de formação.
Para tirar propostas como a matriz curricular sugerida pela Unesco do papel, Antonia pondera que a sociedade deve adotar outra narrativa em relação a educadores. “Frequentemente, nos deparamos com histórias do professor heroico, aquele que, apesar dos baixos salários e das condições de trabalho desfavoráveis, faz milagres em sua sala de aula. Não é sustentável ter uma equipe tão sobrecarregada, mal financiada e exausta”.
Outro aspecto muito presente em discussões sobre Inteligência Artificial, a privacidade de estudantes, também foi tema da fala de Antonia, que considera que “professores não deveriam carregar sozinhos a responsabilidade de proteger os dados e a privacidade dos alunos ou de lidar com os vieses nas ferramentas de IA. Essas responsabilidades devem ser compartilhadas entre todos os envolvidos”.
Ao final de sua fala, a representante da Education International conclamou tomadores de decisão que têm a missão de desenhar sistemas educacionais a colocar a equidade e a inclusão no centro de sua atuação. Antonia considera que nesse processo de adoção de ferramentas baseadas em inteligência artificial os esforços devem ser direcionados aos que frequentemente são esquecidos pela tecnologia.
“Imagine um cenário onde estudantes de comunidades indígenas estejam no epicentro de nossas inovações. Ao moldarmos estas ferramentas avançadas, podemos ampliar as vozes dos estudantes que enfrentam barreiras linguísticas, que possuem deficiências ou que são relegados a um segundo plano em salas de design distantes. Precisamos tornar a educação verdadeiramente inclusiva”, concluiu.
Relacione a Coluna 1 à Coluna 2, associando o sujeito às formas verbais contidas no texto.
Coluna 1 1. Antonia Wullf. 2. Outros sujeitos.
Coluna 2 ( ) reforçou (l. 05). ( ) criticou (l. 10). ( ) considera (l. 21). ( ) pondera (l. 27).
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é: