///
Por que os maiores benefícios da tecnologia raramente chegam ao grande público?
Por Kaushik Viswanat
No novo livro Power and Progress: our 1,000-year struggle over technology and prosperity, os economistas Daron Acemoglu e Simon Johnson apresentam uma perspectiva histórica abrangente do quanto os custos e benefícios dos avanços tecnológicos foram desigualmente distribuídos. A tecnologia, para eles, não é uma força em si mesma, mas uma ferramenta construída para apoiar os objetivos de pessoas e instituições que detêm o poder na sociedade. Reivindicar uma parcela justa dos benefícios da tecnologia para o resto da sociedade, ou seja para a maior parte da humanidade, requer que se desafie esse poder. No livro, Acemoglu e Johnson falam sobre as lições que podemos trazer do passado para um melhor desenvolvimento e aproveitamento da tecnologia hoje e no futuro.
A tese central do livro e o que os motivou a escrevê-lo é a crença de que este é um momento crítico para pensar no futuro da tecnologia. Segundo os economistas há muitas decisões importantes que estão sendo afetadas por um "tecno-otimismo" tanto no mundo acadêmico quanto no da tecnologia e no da política. Tecno-otimismo é a ideia de que mudanças tecnológicas extraordinárias automaticamente trarão melhorias para a sociedade, especialmente para os que estão no mercado de trabalho.
O que sabemos em profundidade sobre história e teoria econômica nos leva a acreditar que não é bem assim. Ao longo da história, existiram decisões que trouxeram benefícios para uns e perdas para outros a partir do surgimento de uma tecnologia: ou veio algo próximo de uma prosperidade compartilhada ou o uso dessa tecnologia ajudou ou destruiu a democracia. Dessa forma, o propósito de Power and Progress parece ser dissipar a noção de que, na história da tecnologia, tudo sempre deu certo. Temos escolhas e disputas sobre ela hoje como tivemos no passado.
Um dos principais conceitos que se discute no livro é a noção de que, quando a tecnologia melhora, obtém-se melhores salários, mais oportunidades e melhor saúde, e todos acabam ganhando em algum momento. “Nosso principal problema com essa ideia é o ‘em algum momento’. Se contarmos desde o início da primeira Revolução Industrial, são 120 anos. No período de 1720 a 1840 nasceram muitas novas tecnologias, mas sabemos que, na década de 1840, crianças de até seis anos ainda empurravam carrinhos de carvão do subsolo para fora das minas”, comenta Johnson.
A IA, por exemplo, tem o poder de iluminar o caminho dos trabalhadores e da sociedade (ou pode ir na direção da automação, que aprofunda as desigualdades, entrega mais desinformação e manipula os usuários, que é o que temos visto em mídias sociais). “Nós realmente nos preocupamos com esse caminho. A sociedade não está se preocupando o suficiente com isso. Não temos ao menos um conjunto correto de aspirações quanto ao que devemos querer dessa tecnologia”, enfatiza Acemoglu.
Considerando o fragmento “... os economistas Daron Acemoglu e Simon Johnson apresentam uma perspectiva histórica abrangente do quanto os custos e benefícios dos avanços tecnológicos foram desigualmente distribuídos”, analise as assertivas a seguir:
I. A palavra “desigualmente”, nesse contexto, é classificada como um adjetivo.
II. A oração organizada em torno do verbo “apresentam” tem sujeito composto.
III. O verbo “apresentam” é classificado como verbo transitivo direto.
Quais estão corretas?