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Racismo ambiental à brasileira: os efeitos das mudanças climáticas não são iguais para todos.
Neste ano, durante a COP26*, representantes do Movimento Negro brasileiro lançaram um manifesto contra o racismo ambiental, assinado por mais de 220 entidades da sociedade civil, destacou que as mudanças climáticas têm impacto mais grave sobre populações negras, quilombolas e indígenas no Brasil. Contudo, você sabe o que é racismo ambiental e como ele está interligado à crise climática?
O termo racismo ambiental foi nomeado pela primeira vez pelo reverendo norte-americano Benjamin Chavis ao constatar que resíduos tóxicos eram depositados, no estado da Carolina do Norte, no local vivia a comunidade negra da região. No final dos anos 70 e início dos anos 80, analistas constataram que 75% dos aterros desse tipo, no sudeste dos Estados Unidos, localizavam-se em bairros habitados por negros, embora nessa mesma região eles representassem apenas cerca de 25% da população. Basicamente, as consequências da emergência climática não são iguais para todos, visto que a população não branca é mais sofre. O termo chegou ao Brasil nos anos 90, sendo chamado de Justiça Climática.
Teoricamente, racismo ambiental é qualquer política, prática ou direção que afeta ou prejudica diferentemente (intencionalmente ou não) indivíduos, grupos ou comunidades, com base em sua raça e/ou sua cor. Na prática, o racismo ambiental existente no Brasil está, por exemplo: numa lei que debate o marco temporal para a demarcação das terras indígenas; na falta de reconhecimento de terras quilombolas, muitas delas passando por processos de gentrificação oriundos da especulação imobiliária ou por avanço de territórios do agronegócio; no fato de metade da população do país que não tem acesso a saneamento básico ser composta de pessoas não brancas, e a lista segue sendo longa.
Em sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, às vésperas da COP26, representantes do governo brasileiro questionaram o uso do termo “racismo ambiental” ( eles não reconhecem) para abordar a intersecção entre injustiça racial e ambiental, ao declararem: “notamos que o chamado racismo ambiental não é uma terminologia internacionalmente reconhecida”. E completaram: “Para o Brasil, a discussão sobre a relação entre problemas ambientais e questões sociais, como racismo, deve levar em consideração um enfoque equilibrado e integrado à dimensão social, econômica e ambiental”. Será mesmo? Vale observar que o relatório da ONU cita como exemplo de situação de racismo ambiental o caso das comunidades quilombolas no Brasil.
*COP26 – A Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima de 2021 foi a 26ª conferência das partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, realizada entre 1 e 12 de novembro de 2021 na cidade de Glasgow, na Escócia.
Considere a hipótese de realizar as seguintes mudanças no texto: Na linha 20 – substituir “metade da população” por “50% das residências”.
Na linha 26 – substituir “discussão” por “discussões”.
Quantos outros vocábulos em cada período, respectivamente, deveriam passar por ajustes de concordância?