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Você já reparou que algumas palavras estrangeiras que usamos não têm equivalente no Brasil? É natural também que invenções de outros países cheguem aqui com o nome que lhes deram em sua terra natal. Pense na pizza. Mas pense também em tecnologia. Se a palavra estrangeira vem a bordo de uma inovação tecnológica, a probabilidade de permanecer é relevante. Quando falamos num “farol de LED” do carro, LED é a sigla inglesa para light-emitting diode. É muito mais fácil usar o termo que já veio com a tecnologia do que dizer que nosso carro tem um farol que funciona com “diodo emissor de luz”.
Antes que recursos sofisticados de segurança fossem obrigatórios nos carros brasileiros, como o anti-lock braking system (freio ABS), já falávamos inglês para usar nosso computador pessoal. Tente arrumar um equivalente para mouse (o acessório de informática, não o roedor). O dicionário Houaiss sabe dizer o que é: em versão resumida, um dispositivo dotado de um a três botões que, ao ser movimentado, provoca o deslocamento análogo de um cursor na tela de um computador.
Poxa, para que arrumar um termo que condense tanta informação se os americanos já criaram, com uma palavrinha só, um apelido simpático para o gadget? E os mais antigos, com fio, pareciam ratinhos mesmo. Portugal resolveu a questão de um modo simples, sem inventar um termo próprio: traduziu literalmente o apelido inglês. Os portugueses mexem seus cursores usando um “rato”.
O estrangeirismo, de qualquer maneira, é sempre bem-vindo quando facilita a comunicação. Outro exemplo bem atual é o anglicismo “testei positivo para Covid”. Se seguíssemos a norma culta nesse aviso infeliz aos familiares, o certo mesmo seria dizer “me submeti a um exame de Covid e o resultado foi positivo” (praticamente o dobro de palavras). Para que complicar?
Aliás, falando em Coronavírus, não há brasileiro vivo que ignore o sentido de trabalhar em home office. Cá entre nós, uma tradução para o português geraria dubiedade. Um “escritório em casa” soa como algo bem estabelecido, definitivo até, como o consultório de Sigmund Freud, que ficava na residência dele. Já “home office” a gente entende como uma alternativa ao trabalho presencial numa empresa ou num cliente, que pode ser um arranjo provisório ou não. Na forma como o termo está, em inglês, ele é a definição perfeita desse arranjo mal ou bem-sucedido (tente fazer com duas crianças pequenas correndo pelos cômodos).
Os exageros no estrangeirismo tendem a passar, como as paletas mexicanas. Mas o uso que facilita a comunicação vai vingar sempre. E a Língua Portuguesa no Brasil – que os portugueses chamam pejorativamente de “brasileiro” – vai continuar se enriquecendo com palavras e expressões que não teriam como surgir por aqui.
Assinale a alternativa que apresenta a conjugação correta da forma verbal “seguir”, mantendo-se o mesmo tempo verbal do trecho original a seguir, mas alterando-se a pessoa para “tu”: “Se seguíssemos a norma culta nesse aviso infeliz aos familiares” (l. 20-21).