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Quem criou a urna eletrônica? Veja a história do aparelho de votação
Por Carlos Palmeira
Apesar de ser uma tecnologia que completou 25 anos em 2021 a urna eletrônica ainda é alvo de polêmicas Parte da população brasileira e políticos discursam contra o equipamento e sugerem que ela não é segura o suficiente para garantir a lisura do processo eleitoral. Apesar de a urna precisar de revisões constantes e melhorias em alguns processos, assim como qualquer dispositivo, o fato é que ela é um equipamento extremamente confiável. A cada eleição a máquina passa por vários testes públicos de segurança que demonstram como ela pode garantir que a vontade de mais de duzentos milhões de pessoas seja respeitada.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), órgão responsável pelas eleições brasileiras e pela urna, explica que o primeiro Código Eleitoral do país já mostrava um anseio das autoridades por votações em formato eletrônico. Falando sobre o voto secreto, o artigo 57 do Decreto 21.076, de 24 de fevereiro de 1932, já previa o “uso das máquinas de votar, regulado oportunamente pelo Tribunal Superior [Eleitoral]”. Foi somente na década de 90, porém, que o projeto “andou” e ficou mais concreto. Em 1995, o TSE montou uma comissão técnica formada por especialistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e do Centro Técnico Aeroespacial (CTA), duas entidades extremamente competentes. Para se ter uma ideia, o Inpe foi o responsável pelo primeiro satélite de Observação da Terra que é 100% brasileiro, por exemplo.
Desenvolvido em 1995, o Coletor Eletrônico de Votos, ou urna eletrônica, foi utilizado pela primeira vez em 1996. Como poucas pessoas tinham computador, a máquina tinha um layout de telefone, com a mesma disposição das teclas, tudo para facilitar o entendimento dos brasileiros e, como ainda estava em fase de testes e não tinha unidades para o Brasil todo, naquele ano um terço do eleitorado da época utilizou o equipamento.
Em 2000 foi realizada a primeira eleição 100% informatizada no país. Naquele ano foi utilizada a urna eletrônica modelo UE2000, que com variações e atualizações é o modelo que se baseia no equipamento atual.
O TSE decidiu trocar as votações de cédulas de papel pelas urnas eletrônicas por várias razões, dentre elas a falta de segurança e as fraudes. Além disso, a votação em papel tinha uma apuração muita lenta e com muitos erros humanos, já que a leitura dos votos era feita por pessoas.
Antes das urnas, era comum ouvir histórias de eleições em que parte da população brasileira votava em celebridades em forma de protesto ou simplesmente para tirar um sarro do processo eleitoral. O papel também oferecia problemas de acessibilidade para o povo, já que eleitores analfabetos e deficientes visuais, por exemplo, eram praticamente excluídos do processo democrático.
Além da segurança, agilidade, confiabilidade e privacidade, a urna eletrônica realizou a inclusão dos brasileiros. Desde o modelo UE2000 a tecnologia oferece ativações como sinal sonoro, possibilidade de inserção de fones de ouvido, números em sistema braile (para cegos) e mais. A peça também é responsável, por exemplo, por uma diminuição de 82% no número de votos inválidos, segundo o TSE.
No trecho “A cada eleição a máquina passa por vários testes públicos de segurança que demonstram como ela pode garantir que a vontade de mais de duzentos milhões de pessoas seja respeitada”, retirado do texto, as palavras em destaque têm função de: