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Como garantir tempo de planejamento dentro da jornada dos professores?
Por José Marcos Couto Júnior
Ser um dos vencedores do Prêmio Educador Nota 10 em 2018 foi um dos momentos mais marcantes de minha trajetória. Nos últimos dias estava recordando aquela experiência e de que, durante os compromissos da premiação, pediram-nos para responder duas perguntas: “o professor é um herói?” e “o magistério é uma espécie de sacerdócio?”
Esses questionamentos geraram um belo debate entre os vencedores. Havia quem concordasse e quem discordasse. Assim como pensava quase quatro anos, reafirmo o meu entendimento: não somos heróis. Embora acredite que, sem amor e empatia, o processo de aprendizagem nunca será completo e satisfatório, somos profissionais da Educação. Por isso, necessitamos de boas condições de trabalho e de valorização profissional.
Dentro dessas necessidades não pode faltar o direito ao tempo de planejamento do docente. Estamos em junho de 2022, catorze anos após a aprovação da Lei 11.738/2008, a qual garante 1/3 da carga horária do professor dedicada a atividades realizadas fora de sala de aula. No entanto, infelizmente, ela ainda é uma realidade distante para muitos educadores.
Não há como falarmos sobre valorização da profissão sem viabilizar momentos para o planejamento, e sem compreendermos que ele faz parte da rotina escolar. Do contrário, perdemos qualidade nas aulas por um lado, ao mesmo tempo em que passamos a exigir que o professor estenda sua jornada de trabalho por outro lado.
Faltam quadros docentes que viabilizem essa organização da rotina. No entanto, esse problema não pode “ficar na conta” do professor, muito menos prejudicar as aprendizagens dos alunos. Além disso, essa deve ser uma demanda primordial de gestores, mas a princípio não de gestores escolares. Cabe ao executivo federal, estadual e municipal, bem como aos seus respectivos ministros/secretários, garantirem a contratação de docentes, além de desenvolverem grades curriculares que permitam a dedicação para as atividades fora de sala de aula dentro da jornada de trabalho.
Enquanto isso não acontece, quem está na ponta é afetado. E mesmo sem sermos aqueles que poderão sanar o problema em definitivo, precisamos agir. Nesse sentido, passa-se a exigir que os gestores escolares busquem estratégias provisórias para mitigar o problema.
Desde já reafirmo que o termo melhor empregado neste caso é “mitigação”. Gestores escolares não darão conta de garantir um tempo de planejamento adequado em unidades escolares sem professores. É o velho ditado que afirma não ser possível “fazer omeletes sem ovos”.
Muitas vezes a própria equipe gestora acaba atuando em sala de aula como solução emergencial. Evidentemente, este é o pior dos cenários, pois como a minha avó dizia, de novo apelando para o conhecimento popular, “cobre-se um santo para descobrir outro”. No fim, terminamos exercendo mal as duas funções.
Assim, para garantirmos o direito dos alunos a aulas de qualidade e do docente planejar dentro de sua jornada de trabalho, faz-se urgente encontrar soluções com apoio de parceiros da escola. Precisamos pedir ajuda, pois não conseguiremos isso sozinhos.
O autor emprega o ditado popular “cobre-se um santo para descobrir outro” (l. 34) como uma metáfora para explicar determinada situação. Assinale a alternativa que indica o sentido pretendido pelo uso dessa alegoria.