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Em caso de felicidade Por Jeferson Tenório 01 Em caso de felicidade eu prefiro a vida. 02 Tenho essa frase anotada em algum bloco desses no qual costumo registrar meus 03 pensamentos, passei anos sem entender ao certo o que ela de fato significava para mim, 04 entretanto, os anos foram passando e um dia eu conheci a palavra lucidez. 05 Desde então, comecei a entender o que essa frase me sinalizava. Quando conhecemos a 06 palavra lucidez há algo de grave nisso. Dizemos adeus ___ ilusões e como num lampejo 07 começamos a suspeitar de que existe algo mais importante que a ideia de felicidade, algo mais 08 poderoso e simples, algo menos fugaz e menos ilusório. 09 Quando abandonamos a ideia de felicidade, deixamos para trás aquilo que nos torna 10 incapazes para ___ vida. Aos poucos, me dei conta de que tornar minha vida interessante era a 11 única coisa importante a se fazer. Mas isso dá trabalho. E para começar, tive de aceitar a tristeza 12 que é o que se faz quando achamos que a vida não tem razão. 13 Ao longo de minhas tentativas com a escrita, construí alguns personagens tristes, mas a 14 tristeza desses homens e mulheres que inventei e que estão a caminhar pelas ruas todos os 15 dias, não é um recurso de autopiedade, nem tampouco são personagens deprimidos. A tristeza 16 deles foi o modo que eles encontraram para viver. 17 Se algum dia eu cedi ___ ideia de felicidade, foi quando descobri que vivo num tempo fora 18 do tempo. Que corremos o tempo todo atrás de um presente que não existe, e que lutamos 19 cotidianamente com a passagem das horas. E agora entendo o nosso corpo como uma ampulheta 20 orgânica a nos dizer que temos de caminhar sempre e não há o que fazer quanto a isso. 21 Pois, se não há o que fazer, que façamos que a peregrinação seja interessante. Talvez 22 seja isto: precisamos deslocar nossa ideia de uma felicidade plena e sem sobressaltos para uma 23 vida mais interessante e imprevisível. Uma vida capaz de nos cativar e que nos fizesse olhar 24 para as coisas com mais honestidade. 25 A grande ilusão de apostarmos tudo em um momento único, como se todas as alegrias 26 estivessem reservadas num futuro longínquo é o que parece ser mais pernicioso. Tolstói talvez 27 seja mais duro ao dizer que nem sempre as pessoas se casam para serem felizes. Simplesmente 28 porque o cotidiano nos impõe uma série de obrigações burocráticas e que constantemente nos 29 afastam daquele ideal de felicidade no qual tudo é eterno, um lugar onde não há fracasso, nem 30 tédio, nem dor. 31 Talvez seja melhor pensarmos que as pessoas se unem não para serem felizes, mas para 32 tornar suas vidas interessantes. O que me parece menos ambicioso e arrogante de nossa parte. 33 Assistindo a uma entrevista do psicanalista Contardo Calligaris, entendi melhor sobre essa ilusão 34 de procurarmos a felicidade no futuro. E dessa supervalorização da política da felicidade. Dizia 35 ele que o mais importante não são os momentos felizes, mas os de trabalharmos arduamente 36 para nos apaixonarmos por aquilo que fazemos de nossas vidas. E tornar nossa vida apaixonante 37 não depende apenas de nós mesmos, mas também depende daquilo que nós fazemos com as 38 pessoas.
Analise as assertivas a seguir a respeito da palavra “sobressalto”:
I. A palavra foi formada por derivação parassintética.
II. Identifica-se na palavra um dígrafo.
III. Trata-se de um substantivo comum de dois gêneros.
Quais estão corretas?