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Alfabetização científica
Por Leonir Lorenzetti e Demétrio Delizoicov
A alfabetização científica e técnica está em voga e vem sendo discutida em países anglo-saxões e do norte da Europa. A expressão designa um tipo de saber, de capacidade ou de conhecimento que seria uma contraparte que foi alfabetização no último século. Com respeito educação escolar, tem sido apontado que a maioria dos educadores concorda que o propósito da ciência escolar é ajudar os estudantes a alcançar níveis mais altos de alfabetização científica, existindo um acordo significativo da sua importância para a vida cotidiana de qualquer indivíduo. No entanto, ela tem muitas das características de um slogan educacional no qual o consenso é superficial, porque a expressão significa coisas diferentes para pessoas diferentes. Desta forma, são pertinentes algumas questões: qual o significado da alfabetização científica? Qual a sua importância para o currículo escolar? Como promovê-la?
A alfabetização científica e tecnológica no Brasil é reflexo do processo da globalização, entendida como o que um público específico – o escolar – deve saber sobre ciência, tecnologia e sociedade, com base em conhecimentos adquiridos em contextos diversos (escola, museu, revista, etc.). A alfabetização científica constitui-se como uma das grandes linhas de investigação no ensino de Ciências. Este movimento relaciona-se à mudança dos objetivos do ensino de Ciências, em direção à formação geral da cidadania, tendo hoje papel importante no panorama internacional. As características de uma pessoa cientificamente instruída não são ensinadas diretamente, mas estão embutidas no currículo escolar, de modo que os alunos são chamados a solucionar problemas, a realizar investigações, a desenvolver projetos em laboratório de apoio e experiências de campo. Estas atividades são compreendidas como preparação para o exercício da cidadania. A alfabetização científica pode abranger muitas coisas, desde saber como preparar uma refeição nutritiva até saber apreciar as leis da Física. São imprescindíveis especialistas para a popularização e desmistificação do conhecimento científico, para que o leigo possa utilizá-lo na sua vida cotidiana. Os meios de comunicação e, principalmente, as escolas podem contribuir consubstancialmente para que a população tenha um melhor entendimento público da Ciência.
Quando se fala em alfabetização, normalmente não se percebe que a expressão “ser alfabetizado” apresenta dois significados diferentes: um, mais denso, estabelece uma relação com a cultura, a erudição; o outro fica reduzido à capacidade de ler e escrever. No entanto, ampliando-se o segundo significado do que é “ser alfabetizado”, a expressão “alfabetização científica” pode vir a ser entendida como a capacidade de ler, compreender e expressar opinião sobre assuntos de caráter científico, levando-se em conta o pressuposto de que o indivíduo já tenha interagido com a educação formal, dominando, desta forma, o código escrito. Entretanto, complementarmente a esta definição, e num certo sentido a ela se contrapondo, parte-se da premissa de que é possível desenvolver uma alfabetização científica nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental, mesmo antes de o aluno dominar o código escrito. Por outro lado, a alfabetização científica poderá auxiliar significativamente o processo de aquisição do código escrito, propiciando condições para que os alunos possam expandir sua bagagem sociocultural.
Considerando-se que boa parte da população possui pouco entendimento sobre o papel da ciência, o elementar seria a sua compreensão de que a “alfabetização científica prática” é aquela que, contribuindo para a superação desta situação, tornaria o indivíduo apto a resolver, de forma imediata, problemas básicos que afetam a sua vida. Esta alfabetização deve proporcionar um tipo de conhecimento científico e técnico que pode ser posto em uso imediatamente, para ajudar a melhorar os padrões de vida. Assim, a alfabetização científica prática está relacionada com as necessidades humanas mais básicas, como alimentação, saúde e habitação. Uma pessoa com conhecimentos mínimos sobre estes assuntos pode tomar suas decisões de forma consciente, mudando seus hábitos, preservando a sua saúde e exigindo condições dignas para a sua vida e a dos demais seres humanos.
Para passar a exprimir ideia de conclusão, a locução conjuntiva em destaque na linha 07 somente deve ser substituída por: