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Como lidar com ambientes tóxicos no trabalho
Por Alexandre Carvalho
O uso do termo “tóxico” para designar ambientes hostis de trabalho é coisa recente. Mas não é à toa. Basta uma olhada no dicionário. A primeira definição que você vai encontrar é “que produz efeitos nocivos no organismo”. E é isso mesmo. Trabalhar exposto a circunstâncias ameaçadoras é viver sob estresse, quando seu cérebro o prepara para uma reação de luta ou de fuga – aumentando a sua pressão arterial e a quantidade de açúcar no sangue. O problema é isso acontecer todo dia.
Um estudo publicado em 2016 no Journal of Occupational Health Psychology mostrou que altas de pressão arterial após interagir com um chefe agressivo tendem a se manter no pós-expediente, quando o profissional fica ruminando sobre a conversa desagradável. O resultado, a longo prazo, pode ser hipertensão – um quadro característico (e perigoso) de pacientes cardíacos. Mas o inferno é traiçoeiro, e conta com vários círculos intermediários de sofrimento quando se trata de ambientes tóxicos de trabalho.
O caso mais recorrente é o dos chefes abomináveis, e aí há diversas categorias de demônios para sabotar sua paz de espírito. Há o gestor que grita, o que rosna, o que faz escândalo, o que aponta o dedo para você na frente da equipe toda, o que se gaba de triunfos que não lhe cabem, o que coloca empregado contra empregado, o que só promove quem puxa o saco, o que impõe favores pessoais que nada têm a ver com a empresa (“manda meu carro para lavar?”), o que liga às 6h da manhã… E esse novo tipo: o “chefe pandêmico”, que faz microgerenciamento do seu home office, pedindo para compartilhar sua tela a fim de conferir se você está trabalhando de verdade.
Mas nem tudo é culpa das lideranças. Um ambiente tóxico também pode ser consequência de colegas do mal ou da própria cultura da empresa. Nesse caso, os diabinhos são divididos em pelo menos quatro espécies peçonhentas: o mais comum é o fofoqueiro do cafezinho, que quer saber (e compartilhar) da vida de todo mundo, faz insinuações e vem com ironias quando alguém é promovido; o segundo é aquele que só vê a parte vazia do copo em tudo que a empresa faz, tentando te atrair para a negatividade que o envolve como uma nuvem que faz as flores murcharem; já o terceiro é um caso mais grave: o assediador, que emenda comentários inadequados um atrás do outro, diz grosserias com um tom “charmoso”, quer forçar a intimidade ou algo mais; e há o colega que quer passar com uma escavadeira por cima do resto do time – zero por cento de espírito de equipe, obcecado por seu marketing pessoal.
Um possível consolo é que chefes ruins podem ir embora um dia, colegas nefastos mudam de área – ou é possível evitá-los… Pior é quando a própria empresa é tóxica. “Quando a companhia promove um ambiente hostil, a situação é mais complicada”, diz Paulo Sardinha, presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH).
Um ambiente tóxico pode até dar resultado no curto prazo, por conta da pressão, mas é um veneno que vai matando a empresa por dentro. Um estudo de universidades da Califórnia e da Flórida revelou que profissionais menosprezados por seus chefes tendem a manifestar ideias menos criativas que as dos colegas que passaram ilesos por seus superiores. São perdas de produtividade e de dinheiro por causa unicamente de maus comportamentos – individuais ou coletivos. E há ainda a questão da fuga de talentos. De acordo com o relatório Breathe’s Culture Economy 2021, quase um terço dos trabalhadores no Reino Unido pede demissão por causa de ambientes tóxicos no trabalho.
Assinale a alternativa na qual NÃO haja o emprego de linguagem conotativa.