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Comunicação não verbal
Depois de quase dois anos sem falar em público, rodeada de pessoas, daquele jeito frente a frente, olho no olho, cara a cara, tive o prazer de realizar um encontro presencial com 30 vice-presidentes e diretores de recursos humanos das principais organizações do país em um evento para o lançamento da pesquisa “Futuro do Ambiente de Trabalho no Cenário Pós-pandemia”.
Que saudade que eu estava de me encontrar com tantos profissionais que admiro e compartilhar ideias, conhecimento, opiniões, histórias e sabe o que mais? Emoções.
Durante a pandemia, continuamos a compartilhar tudo isso que listei acima, mas a transmissão da emoção por meio de expressões faciais, gestos, posturas, enfim, de tudo aquilo que não é dito com palavras é mais desafiadora no online.
Nesse ambiente digital, sem querer, podemos acabar perdendo aquela habilidade de “ler” o outro, de prestar atenção na linguagem corporal — e lá, naquele encontro, peguei-me pensando nisso.
Nesse período de isolamento, desenvolvemos diversas habilidades de gestão à distância, aprendemos a flexibilizar e a adaptar rotinas, a usar diversos recursos tecnológicos, incorporar inovações digitais e assim por diante. Ao mesmo tempo em que adquirimos novos itens para a nossa caixa de ferramentas, deixamos outros de lado sem perceber.
Chegou a hora de tirar o pó de alguns desses instrumentos pouco utilizados nos últimos tempos, mas extremamente importantes. E, se eu fosse escolher um, começaria pela comunicação não verbal. Algo em que você, um dia, já foi realmente muito bom! E, quando me refiro ao passado, não estou falando da época pré-pandêmica, e sim daquele período na vida em que as únicas formas de comunicação “disponíveis” eram, de alguma forma, a sua linguagem corporal.
Quando você ainda não sabia falar e dependia de um sorriso, uma careta, um dedo indicador apontando algo, um choro, uma risada e “recursos” similares utilizados em abundância na infância. Formas de comunicação que, aos poucos, vão criando vínculos fortes e verdadeiros entre as pessoas — neste caso, entre a criança e seus pais.
Olhar para trás pode dar essa pista de que a comunicação não verbal é intrínseca e natural aos indivíduos, mas vai perdendo espaço para a comunicação verbal à medida que ficamos mais velhos. Não que você deixe de se expressar usando seu corpo, é só que, talvez, pare de prestar atenção nisso. Deixamos de reparar tanto nos nossos próprios gestos quanto nos dos outros e isso pode trazer um impacto nessa conexão que comentei.
Uma conexão que aprendemos a fazer na infância, porém parecemos “esquecer” como criá-la com outras pessoas ao longo da vida.
Lá no evento, diante de todos, prestando atenção em como os convidados sorriam, acenavam à cabeça, cruzavam e descruzavam os braços, se mexiam na cadeira, pensei na diferença que é transmitir um conteúdo dessa forma. Não que eu não goste dessa nossa relação aqui, verbal, por meio dos artigos semanais e a troca de comentários. Mas é que, nessa plataforma, eu só tenho uma parte de vocês e vocês também só têm contato com uma parte de mim.
Assinale a alternativa que apresenta palavra ou expressão de mesmo valor semântico ao da locução conjuntiva “à medida que” (l. 29).