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Com o aumento do transporte individual, as cidades rumam em direção ao caos
Investimos, por décadas, no transporte individual e, como resultado, temos hoje cidades congestionadas, com consequências danosas para a qualidade de vida de sua população e para o meio ambiente. Com a prevalência do automóvel e das grandes avenidas, os acidentes no trânsito: hoje, por volta de 40 mil mortes em todo o Brasil e 24 mil nas cidades com mais de 60 mil habitantes, a um custo social anual da ordem de 130 bilhões de reais. Vale lembrar que, em 20 anos, o trânsito matou mais de 500 mil pessoas e feriu outras seis milhões.
O transporte individual consome 63% de toda a energia não renovável (11,4 toneladas de equivalentes de petróleo) e produz 67% de toda poluição de efeito estufa (32 milhões de toneladas). Esses números são do Sistema de Informações da Mobilidade Urbana (Simob), criado há mais de 15 anos pela ANTP com a função de retratar de maneira objetiva a forma, as condições e a qualidade com que ocorrem os deslocamentos da população em nossas cidades. São números que nos trazem um recado direto e cristalino: caso não se corrija o modelo de desenvolvimento urbano que prevalece há décadas, nossas cidades caminham céleres para o caos.
O modelo de desenvolvimento urbano adotado na maioria de nossas cidades, por sua vez, o espraiamento dessas cidades. Isso significa concentrar empregos nas áreas centrais, e as moradias em áreas cada vez mais distantes do centro, em especial das classes sociais de menor renda. O resultado foi o aumento considerável das distâncias percorridas e do tempo de viagem para os usuários de ônibus. Nas grandes metrópoles, com mais de um milhão de habitantes, a distância média percorrida pelos passageiros de transporte público é, hoje, de 8,1 km, com o tempo (em média) de 47 minutos. Já os usuários do transporte individual percorrem cerca de 4,5 km, com duração (média) de 30 minutos.
No afã de absorver a crescente frota de automóveis (que em 50 anos passou de três milhões para 100 milhões de veículos), ruas foram sendo ampliadas, margens de rios viraram grandes avenidas, e vias elevadas e túneis foram sendo construídos. Esse modelo de desenvolvimento urbano, predominantemente influenciado por incentivos ao automóvel e pela falta de controle sobre o mercado imobiliário, resultou nas condições urbanas atuais. Estas – longe de atender aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável propostos pela ONU – reduzem a qualidade de vida urbana e tornam as cidades menos competitivas do ponto de vista econômico. Reverter este quadro é um dever da sociedade e dos governos em todas as suas instâncias, o que ações e atitudes de curto, médio e longo prazo.
Sobre acentuação de palavras do texto, analise as assertivas abaixo e assinale V, se verdadeiras, ou F, se falsas.
( ) “túneis” e “automóveis” têm acento tônico e gráfico na penúltima sílaba e terminam, ambas, em ditongo decrescente.
( ) “construídos” tem hiato “i” tônico, o que justifica sua acentuação gráfica.
( ) “veículos” tem sua acentuação gráfica justificada por duas regras diferentes.
( ) “áreas” e “imobiliários” pertencem a grupos diferentes de palavras quanto ao critério de acentuação gráfica.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é: