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Ah, se fosse meu filho! Mauro Fisberg Eu já escutei inúmeras vezes mães falando “Ah, se fosse meu filho” quando veem uma criança fazendo algo inadequado. É como uma atitude dúbia, ameaçadora, em que no fundo estão imaginando algo como: “eu faria diferente”, “eu faria o que ele pedisse”, “lhe daria uma porrada”, “eu não saberia o que fazer”… Sem dúvida, um dos grandes problemas que estamos vivendo na educação infantil é a dificuldade de estabelecer limites. Como definir projetos de vida seguros, tranquilos, sem sustos, sem erros, sem sobressaltos, em um mundo violento, em que não sofrer é a norma? Coincidentemente, hoje li no jornal uma matéria em que cientistas da Universidade de British Columbia, no Canadá, recomendam parquinhos mais ‘aventurescos’ como uma forma de estimular mais e fugir da equação de seguro total como o mais adequado. Menos segurança, menos proteção, mais estímulo, desenvolvimento e flexibilidade. Um pouco parecido com a teoria da sujeira, em que nossa imunidade se fortalece com exposição a um ambiente não tão protegido. Obviamente que a infância mudou bastante, com muito mais tempo de tela, menos tempo de jogos ao ar livre ou espaços comuns, mais sedentarismo e quase nada de atividades familiares. Temos medo de tudo: de que brinquem e caíam, de que se machuquem, de que possam sofrer. E permitimos coisas muito mais malucas, como veículos de mobilidade individual de adultos para uso em crianças, sem qualquer proteção. Não os protegemos de perigos eletrônicos. A criança fica confinada ao seu quarto, na frente de seus múltiplos tipos de tela, muitas vezes copiando o comportamento de seus irmãos e mesmo de seus pais. E os pais de hoje, comparados aos de algumas gerações anteriores, deixam de ser autoritários, rígidos, para adotar uma postura de permissividade total. Permitem tudo, a qualquer momento, sem qualquer tipo de controle. E contaminam avós, padrinhos, escolas e até os próprios profissionais de saúde, que, pressionados, acabam aceitando como normais comportamentos nem sempre adequados. Afinal, temos medicamentos para quase tudo: para hiperatividade, inatividade, pouca atividade, inatenção, ansiedade, tristezas, falta de afeto ou excesso de afeto. Mas não temos um parâmetro para limites. Na história da humanidade, provavelmente o estilo controlador sempre foi o que mais deu certo na educação, já que as crianças obedeciam de forma cega autoridade paterna, com poucos questionamentos. No entanto, anos abusivos, maus tratos frequentes e castigos físicos abalaram esta forma clássica do educar forçado. Mas saímos para o oposto. Com medo de sermos iguais, buscamos liberalidade total de comportamentos. E o meio termo, o bom e velho bom senso, foi perdendo terreno. Fico com a impressão de que os pais de hoje precisam não de coaches, técnicos ou especialistas em educar seus filhos, mas de algo mais, que o tempo levou ao olvido: a capacidade de conversar, de discutir, de trocar ideias com o profissional de saúde, com parentes, com amigos. Não pelo grupo de Whats, mas realmente o contato sincero e claro, sem outras intenções. E talvez a frase inicial, diria exatamente assim: se fosse meu filho, ele faria o correto.
Considere o trecho a seguir: “E os pais de hoje deixam de ser autoritários, rígidos, para adotar uma postura de permissividade total.” Caso substituíssemos a palavra “pais” por sua forma singular “pai”, quantas outras alterações seriam necessárias a fim de que se mantivessem as corretas relações de concordância no período?