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Quem cuida dos médicos?
Rafaela Moraes Siufi Silva
Diploma em mãos, estamos agora habilitados a exercer a profissão que está incumbida da tarefa mais gloriosa: cuidar da saúde dos nossos pacientes e salvar vidas. Tarefa árdua, dedicação diária, muitas alegrias pela certeza do dever cumprido, felicidade pela recuperação e cura dos nossos pacientes, tristeza quando eles partem, ansiedade quando nos deparamos com a morte, preocupação com as dificuldades e burocracias do sistema de saúde, noites a fio sem dormir, plantões e plantões… Ser médico é tudo isso!
Nós nos dedicamos ao cuidado, nos esmeramos em fazer o melhor, nos doamos ao próximo e nos esquecemos de nós mesmos. Todos os dias conversamos com colegas sobrecarregados, tristes, depressivos, visivelmente esgotados, em “Burnout” (Síndrome de Burnout = estado de esgotamento físico e mental cuja causa está intimamente ligada à vida profissional – Herbert J. Freudenberger). Sem tempo para um sono restaurador, celular 24 horas ligado (alguém pode precisar falar conosco), na maioria das vezes sem praticar atividade física e com a alimentação desregrada. Assim vamos enfrentando uma rotina recompensadora profissionalmente e desgastante física e emocionalmente.
Muitos profissionais criam mecanismos de proteção para enfrentar os sofrimentos testemunhados dentro dos hospitais e clínicas, não se permitindo envolver-se com pacientes e familiares. Essa grande barreira na relação médico-paciente é exteriorizada por meio de um tratamento frio e distante. Ou pode ocorrer o contrário: profissionais envolvem-se demais com a dor e o sofrimento e os absorvem de tal maneira que chegam à fadiga de compaixão. _______, médicos vão sobrevivendo e levando a vida de forma desequilibrada, desamparada, sem conseguirem retornar às suas histórias, à sua própria vida.
Médicos precisam ser cuidados e, provavelmente, a melhor estratégia de proteção dos profissionais da saúde seja o autocuidado: realizar mudanças comportamentais, iniciando com a melhoria no estilo de vida, adotando hábitos saudáveis de alimentação e de atividade física, agregando à agenda um tempo para si mesmo que englobe o lazer e os cuidados pessoais – como ir ao salão de beleza ou, até mesmo, permitindo-se um momento de ócio. Em outras palavras, é necessário equilibrar a balança do cuidar do próximo e do cuidar de si mesmo, estar bem cuidado para cuidar bem.
Vale a pena, _________, fazer esta reflexão de valores, repesar o tempo, realinhar a vida, caminhar com leveza. Sabe aqueles sonhos que nos moviam na adolescência? Aquela esperança que brilha nos olhos e acelera o coração, o prazer de ouvir uma música ou de “se pegar” olhando para o nada? É hora de sorrir para os pequenos gestos, sair do “modo automático”, reviver os objetivos a que se aspira ao se decidir ser médico, traçar o caminho de luta e dedicação à medicina, o porquê da escolha desta profissão tão brilhante e magnífica, que tanto nos engrandece como seres humanos, sem nos esquecermos de nós. Nossas famílias, amigos e pacientes agradecem! E a saúde também!
Considere o que se afirma sobre aspectos linguísticos do texto:
I. Na linha 13, a conjunção “e” poderia ser substituída por “mas” ou outro conectivo adversativo, pois a ideia expressa nesse trecho pode ser entendida como de oposição.
II. Na linha 19, o “que” introduz oração com sentido de consequência.
III. A oração sublinhada na linha 27 exerce função de sujeito da oração precedente.
IV. Na linha 33, a supressão do “a” (sublinhado no texto), não alteraria o sentido de “aspira” (l. 33), mas causaria erro na frase.
Quais estão corretas?