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A geração mimimi não produzirá netos orgulhosos
01 A competitividade deve ser estimulada, porque produz uma energia que nos e_pulsa da
02 zona de conforto e nos empurra em direção ao nosso limite, que é onde descobrimos quem de
03 fato somos. As e_igências serão sempre e_acerbadas, porque sem desafios nunca saímos da
04 mesmice, esta condição amorfa que aprisiona e deforma o espírito, tornando-o incapaz de sentir
05 mais do que pena de si mesmo. E por esta avenida se chega, sem surpresas, ao protótipo da
06 geração mimimi, que se encantou com a informação de que a infância é só para brincar e gostou
07 tanto da ideia, que nunca aceitou que ela terminasse; aos 30 anos, ainda mora na casa dos pais
08 e sistematicamente reclama se ninguém foi capaz de arrumar-lhe a cama.
09 Este tipo se diz socialista, mas se atrapalha se alguém perguntar o que isso significa, sente
10 uma energia indescritível quando abraça uma árvore, sonha morar no Tibete, faz de conta que
11 se interessa pelos direitos humanos, se compadece das crianças pobres de Burkina Faso, mas
12 nunca se oferece para um voluntariado na pátria-mãe. Como exagero de tristeza cansa, só viaja
13 em classe executiva, pelo menos enquanto os pais viverem para assegurar-lhe uma mesada que
14 inclua o acesso ilimitado ao cartão de crédito, e as maravilhas da cibernética com planos de
15 renovação automática e débito em conta. É impossível esperar competitividade de quem acredita
16 que buscar o corte de cabelo mais bizarro e cobrir o corpo das tatuagens mais grotescas torna-o
17 merecedor de algum troféu.
18 Como esse modelo de jovem se generalizou, vamos ter que apegar-nos __ exceções se
19 quisermos produzir uns tipos vencedores, que daqui __ algumas décadas possam sentar com os
20 netos empoleirados nos joelhos e perceber o quanto eles estão orgulhosos das histórias que o
21 avô tem para contar.
22 Lamentavelmente, somos muito mais afeitos __ reverenciar os que conseguiram vencer do
23 que a batalhar para copiá-los. Tiger Woods, que era só um jovem recolhedor de bolas no clube
24 de golfe, teve de vencer a barreira étnica para se transformar no seu maior campeão. Ele cunhou
25 a famosa frase:
26 — Quanto mais eu treino, mais sorte eu tenho!
27 Na semana da trágica morte de Kobe Bryant, as TVs americanas reproduziram suas proezas
28 __ exaustão, e havia nos comentários o deslumbramento da idolatria e, de quando em vez, algum
29 ressentido (“Também ganhando o que ele ganhava, até eu faria sucesso!”), como se o sucesso
30 tivesse chegado antes do trabalho.
31 Gostei de um debate entre dois especialistas da NBA, sobre quem tinha sido melhor, ele
32 ou Michael Jordan. Depois da apresentação dos números impressionantes, que comparavam
33 cestas, assistências, rebotes, desarmes, títulos e troféus ao longo da vida, um dos comentaristas
34 argumentou que preferia o Jordan por ser mais vertical, e achava que o Bryant dava toques
35 demais na bola. Ao que o outro, mais velho, respondeu:
36 — Pode ser. A propósito, um dia ouvi de um crítico que Mozart colocava demasiadas notas
37 nas suas composições!
38 A cara de surpresa do mais jovem me deixou com a impressão de que ele não estava se
39 lembrando de ninguém com este nome na liga de basquete americano.
Sobre classes gramaticais, avalie as afirmações que seguem:
I. No fragmento ‘... mora na casa dos pais...’ (l. 07), a palavra casa é um substantivo. Já em ‘Ele casa e mora com os pais.’, a mesma palavra assume classe gramatical distinta daquela que tinha no fragmento.
II. Em: ‘Este tipo se diz socialista, mas se atrapalha se alguém perguntar o que isso significa’ (l. 09), todas as ocorrências da palavra se pertencem à mesma classe gramatical.
III. Na frase: ‘o corte de cabelo mais bizarro e cobrir o corpo das tatuagens mais grotescas’ (l. 16), as duas ocorrências da palavra mais representam advérbios.
Quais estão corretas?