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Nos últimos tempos, tem esquentado o debate sobre o uso da tecnologia na educação. De um lado, estão os defensores de que, se bem utilizados, gadgets, softwares e aplicativos podem engajar os nativos digitais e aprimorar o processo de aprendizagem, tratando cada estudante como indivíduo e não impondo um ritmo e um conteúdo padronizado para todos. Do outro, estão os aliados de um ensino mais tradicional, com livros didáticos densos, aulas expositivas e anotações manuscritas no caderno, um modelo pedagógico que precisa ser preservado para combater o déficit de atenção causado pelo uso intenso do celular, o acesso excessivo às redes sociais e o tempo desperdiçado vendo vídeos no YouTube. Colocar a tecnologia como principal e única protagonista frente aos desafios enfrentados pelas escolas nos dias de hoje para educar esta geração pós-Internet me parece um equívoco, assim como refugar todos estes recursos e ignorar que estamos trabalhando com uma geração de nativos digitais. A questão central, no meu entendimento, não é usar ou não usar tecnologias digitais, mas sim como e para que ensinar. Os docentes precisam ter clareza sobre as expectativas dos alunos e como eles aprendem para, então, desenhar as melhores estratégias de ensino, além de fortalecer a visão de uma educação empreendedora, que estimule o protagonismo dos alunos, a inovação, a criatividade, dentre outras competências, o que não implica, necessariamente, no uso de tecnologias digitais. Eleito melhor professor do mundo pelo prêmio Global Education and Skills Forum, o queniano Peter Tabichi leciona na Escola Secundária Keriko Mixed Day, em Pwani Village, no Vale do Rift, uma escola rural de um bairro extremamente carente que conta com apenas um computador com conexão que nem sempre funciona. Ele orientou os estudantes para participarem da Feira de Ciências e Engenharia do Quênia, onde apresentaram uma invenção que permite às pessoas cegas e surdas medir um objeto, o que rendeu ao grupo o primeiro lugar na categoria ‘colégios públicos’. Os alunos também conquistaram um prêmio da Royal Society of Chemistry em outro projeto que aproveitou a vida das plantas para gerar eletricidade. O resultado do trabalho de Tabichi se refletiu em dados positivos – o número de matrículas dobrou em 3 anos, os casos de indisciplina caíram de 30 para 3 por semana e 26 alunos entraram na faculdade no ano passado; em 2017 ingressaram 16. O exemplo do professor queniano mostra que é preciso muito mais do que recursos técnicos e ferramentas tecnológicas para motivar os alunos. Acima de tudo, os alunos querem atenção, querem se sentir importantes, querem aprender da maneira mais natural possível, usando ou não o celular, acessando ou não à Internet. Na minha visão, a educação pode ser transformadora unindo o melhor dos dois mundos. Não há razão para fechar os olhos à chegada das tecnologias digitais que podem, sim, apoiar o processo de aprendizado. Mas não é preciso abandonar, enterrar as velhas metodologias. O essencial, no final do dia, é reter os alunos na escola e, a partir daí, ajudá-los a construir suas próprias jornadas de aprendizagem e a desenvolverem as habilidades fundamentais para estar no Século XXI. Se queremos seguir o professor Tabichi, precisamos focar na qualificação dos professores para que consigam preparar as próximas gerações para atuarem em um mundo corporativo cada vez mais competitivo e exigente, o que inclui, é importante registrar, o domínio das tecnologias digitais.
Nas linhas 20-23, tem-se um parágrafo constituído por um único período. Assinale a alternativa que apresenta o número de orações que o compõe.