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Toda pessoa que já discutiu sobre política sabe que é quase impossível convencer alguém de que está enganado, principalmente em questões ideológicas. Mas essa possibilidade existe, embora seja pequena. Já quando se trata de extremistas, essa possibilidade é quase nula. Dada a crescente relevância dos movimentos políticos radicais, surgiram nos últimos anos novos estudos destacando o excesso de confiança que os mais radicais em sua própria opinião. Agora, alguns cientistas resolveram verificar se há algo mais dentro das cabeças mais fanáticas que as impede de sair de seus dogmas, independentemente da ideologia, da pressão social e do ego.
“Queríamos esclarecer se as pessoas que têm crenças políticas radicais geralmente estão muito seguras de suas crenças, ou se se trata de diferenças na metacognição, que é a capacidade que temos de reconhecer quando estamos errados”, explica Steve Fleming, neurocientista da University College de Londres.
“Descobrimos que as pessoas com crenças políticas radicais têm uma metacognição pior do que aquelas com pontos de vista mais moderados. Muitas vezes, elas têm uma certeza errônea e resistem a mudar suas crenças diante da evidência”, explica Fleming. Essa metacognição de que fala o neurocientista, poder pensar sobre o próprio acerto, está fortemente vinculada à capacidade de incorporar novas evidências depois de uma decisão, o que permite reverter escolhas incorretas.
Nos últimos tempos, vários estudos mostraram que os extremistas políticos possuem uma maior rigidez mental que os impede de reconhecer outros enfoques, reconhecer suas próprias debilidades e aceitar mudanças. Por exemplo, um trabalho de pesquisadores da Universidade de Cambridge com votantes do referendo sobre o Brexit mostrou que aqueles que tinham mais dificuldades cognitivas para se adaptar a uma mudança de categoria em um teste eram mais propensos a ser autoritários, nacionalistas, conservadores e a votar a favor da saída da Grã-Bretanha da União Europeia. Outro estudo realizado nos EUA apontou que o sentimento de superioridade a respeito da própria ideologia (ou seja, acreditar que a sua posição é mais correta que a dos outros) é um bom indicador de extremismo ideológico. Tanto as pessoas de extrema esquerda como as de extrema direita, por igual, tinham um maior convencimento do que as demais de estar certas.
José Manuel Sabucedo, catedrático da Universidade de Santiago de Compostela e presidente da Sociedade Científica Espanhola de Psicologia Social, trabalhou com base nessa mesma ideia para saber se acreditar ser dono da verdade era uma boa forma de prever o radicalismo político. “Descobrimos que o monopólio da verdade é um bom indicador de futuras atitudes extremistas, o que permite intervir em relação àqueles que se acreditam no direito e na obrigação de impô-la aos demais”, explica Sabucedo.
Sabucedo considera que isso se enquadra no conceito de realismo ingênuo, que é como se define quando os indivíduos acreditam que a realidade é da forma que eles a percebem. “E se você não compartilha minha forma de ver as coisas, é porque não tem informação, não tem capacidade analítica ou está influenciado por sua ideologia”, pensam esses indivíduos segundo Sabucedo. Esse fenômeno, assinala o catedrático, é perigoso porque pode levar alguém, “inclusive de ”, a forçar outras pessoas a ver sua “verdade”.
No entanto, Sabucedo considera que o estudo de Fleming sobre a metacognição tem um efeito limitado. “É interessante, mas deixa de fora a importância do contexto. Em épocas como esta, quando surgem radicalismos e extremismos, não podemos dizer que isso se deva a esse problema cognitivo”, aponta o cientista social. “Existem pessoas com essas tendências que se ativam para se tornar mais extremistas e pessoas que também se ativam e que não as têm”, acrescenta. “Estas épocas de incerteza geram ansiedade, e os cidadãos procuram uma explicação. Aí aparecem determinados grupos para oferecer uma explicação simples, como a de que a culpa é da imigração, que serve para reduzir essa ansiedade”, resume Sabucedo, que tem dedicado sua carreira ao estudo dos autoritarismos a partir de uma perspectiva . "Descobrimos que acreditar ser o dono da verdade é uma boa forma de prever atitudes extremistas, o que permite intervir", explica Sabucedo.
Além disso, para Sabucedo há outra falha no estudo: a correlação entre essa deficiência cognitiva mostrada pelos extremistas e sua tendência ao radicalismo. Qual é a causa e qual o efeito? “Ainda não está claro se a metacognição limitada é a causa ou a consequência, ou ambas, da radicalização”, reconhece Fleming. “Acreditamos que poderia predispor as pessoas a desenvolver crenças radicais, mas o contrário também é plausível”, afirma o neurocientista, e por isso vai continuar estudando o assunto nessa direção. Fleming explica que talvez nossa capacidade de refletir sobre nossas decisões ou crenças diminua quando estivermos rodeados por outras pessoas com pontos de vista radicais.
Analise as assertivas abaixo sobre o seguinte período do texto: “Toda pessoa que já discutiu sobre política sabe que é quase impossível convencer alguém de que está enganado, principalmente em questões ideológicas.” (l.01-02)
I. O período apresenta 5 orações.
II. O período apresenta uma oração subordinada substantiva objetiva direta.
III. A primeira ocorrência da palavra ‘que’ classifica-se como uma conjunção integrante, visto introduzir uma oração subordinada adjetiva explicativa.
Quais estão corretas?