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Um novo estudo que analisou três mecanismos pelos quais o uso frequente das mídias sociais pode prejudicar a saúde mental sugere que esse hábito tem um impacto em atividades saudáveis (como sono e exercícios) e que esforços devem ser feitos para reduzir a exposição dos jovens a conteúdos nocivos.
Os autores sugerem que efeitos negativos diretos do uso das redes sociais, como afetar o desenvolvimento do cérebro, são improváveis e, portanto, as intervenções para simplesmente reduzir o uso de mídias sociais podem ser equivocadas.
A pesquisa observou quase 10 mil adolescentes de 13 a 16 anos, estudados durante três anos na Inglaterra, entre 2013 e 2015. Metade das doenças mentais apareceu por volta dos 14 anos, tornando a adolescência um período crucial para promover a saúde mental.
Há uma crescente preocupação dos pais e da comunidade científica com o uso excessivo das mídias sociais e o impacto delas na saúde mental e no bem-estar, embora as evidências desse impacto permaneçam contraditórias.
Há algumas evidências de que o uso da mídia social pode influenciar positivamente a saúde, por exemplo, reduzindo o isolamento social. No entanto, existem poucos estudos de longo prazo e poucos examinaram os mecanismos que podem afetar o bem-estar.
Segundo Russell Viner, pesquisador da UCL Great Ormond Street Institute of Child Health e líder da pesquisa, os resultados sugerem que as mídias sociais em si não causam danos, mas que o uso frequente delas pode interromper atividades que têm um impacto positivo na saúde mental, como dormir e se exercitar, aumentando a exposição de jovens a conteúdos nocivos, particularmente a experiência negativa de cyberbullying.
Para a pesquisa, o uso frequente de mídias sociais foi definido como o uso de redes sociais, mensagens instantâneas ou serviços de compartilhamento de fotos, como Facebook, Instagram, Twitter, Snapchat e WhatsApp, três vezes ao dia ou mais. Os autores observam que uma limitação dos dados da pesquisa é que ela não capturou quanto tempo os adolescentes gastaram usando mídias sociais, apenas com que frequência eles verificaram ou acessaram os sites/aplicativos.
No segundo ano do estudo, os participantes responderam um questionário sobre sofrimento psíquico. Eles também foram questionados sobre suas experiências com cyberbullying, sono e atividade física. No último ano, os participantes foram entrevistados sobre três aspectos de seu bem-estar pessoal: satisfação com a vida, felicidade e ansiedade. Quando os autores encontraram associações significativas entre o uso de mídia social dos adolescentes e sofrimento psíquico ou bem-estar, eles avaliaram o grau em que isso poderia ser atribuído ao cyberbullying, sono e atividade física.
Em 2013, das 13 mil crianças entrevistadas, 43% dos meninos e 51% das meninas usaram as mídias sociais várias vezes ao dia (três ou mais). Em 2014, esse uso aumentou para 51% e 68%, respectivamente. Em 2015, 69% dos meninos e 75% das meninas usaram a mídia social várias vezes ao dia.
Em ambos os sexos, o uso frequente de mídias sociais foi associado a maior sofrimento psicológico. Em meninas, quanto mais elas acessaram ou verificaram as mídias sociais, maior o desgaste psicológico – em 2014, 28% das meninas que usavam mídias sociais com muita frequência relataram sofrimento psíquico no questionário geral de saúde, em comparação com 20% das que as utilizavam semanalmente ou menos. No entanto, esse efeito não foi tão claro nos meninos.
A pesquisa de bem-estar de 2015 revelou que o uso frequente de mídia social persistente entre 2013 e 2014 previa um bem-estar mais tardio nas meninas, com as meninas que usavam regularmente as mídias sociais relatando muito menos satisfação com a vida e felicidade, em 2015. Em contraste, não houve associações significativas identificadas pela pesquisa em meninos.
Alguns estudos anteriores sugeriram que problemas prévios de saúde mental estão associados a um maior uso de mídias sociais, e os autores observam que é possível que isso aconteça no primeiro ano do estudo atual. Entretanto, nos segundo e terceiro anos, suas descobertas sugerem fortemente ligações causais entre o uso da mídia social e a saúde mental e o bem-estar.
Os autores descobriram que quase todo o efeito sobre o bem-estar das meninas em 2015 se deveu ao cyberbullying, redução do sono e redução da atividade física. Eles também descobriram que quase 60% do impacto sobre o sofrimento psicológico em meninas em 2014 poderia ser explicado pelo fato de seu sono ser interrompido e por uma maior exposição ao cyberbullying. A atividade física reduzida desempenhou um papel menor.
Em contraste, o cyberbullying, o sono e a atividade física parecem explicar apenas 12% do impacto do uso frequente de mídias sociais no sofrimento psicológico em meninos. Esses achados sugerem que existem outros mecanismos por trás dos efeitos das mídias sociais sobre a saúde mental dos meninos. Os autores sugerem que essas influências provavelmente sejam indiretas, assim como para as meninas, e não devido à exposição nas mídias sociais em si, mas mais pesquisas são necessárias para revelar quais podem ser essas influências indiretas.
Considerando a concordância verbal e nominal, analise as seguintes assertivas, verificando o preenchimento das lacunas pontilhadas do texto:
I. A lacuna pontilhada da linha 09 fica corretamente preenchida por ‘começam’, visto concordar com o núcleo do sujeito ‘doenças mentais’.
II. Na linha 22, a lacuna fica corretamente preenchida por ‘foi definido’, já que concorda com ‘uso frequente’.
III. Na linha 48, a lacuna deve ser preenchida por ‘houve’, pois, nesse caso, esse verbo não flexiona.
IV. Para haver concordância na frase, a lacuna da linha 52 deve ser preenchida por ‘ano’.
Quais estão corretas?