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Tem muito a se refletir sobre a notícia de que o Japão está pedindo que os trabalhadores tirem uma manhã de folga e, consequentemente, avisando aos empresários que, embora não seja uma lei, esta deverá ser a diretriz de agora em diante no país. Importante lembrar que estamos falando sobre a terceira economia do mundo, com um montante de US$ 5,1 trilhões.
Lembrei-me do livro "The New Economics", lançado em 2009 por dois britânicos, com propostas bem determinadas sobre como deveria ser um novo sistema luz do desenvolvimento que leve em conta não só o lucro, mas também as pessoas. Para os autores, trabalhar menos horas vai fazer com que as pessoas tenham melhor qualidade de vida e também ajudará a se diminuir a fila do desemprego em países que convivem com esse problemão. "No coração das transformações progressistas está uma mudança de como nos vemos como cidadãos: de passivos consumidores produtores ativos. Ao optarmos por trabalhar menos horas ou dias da semana, por exemplo, vamos ter um duplo benefício. Mais tempo livre para melhorar a nossa qualidade de vida, sim, é um excelente resultado. Como também abrirmos mais janelas para aqueles que não têm emprego nem chance de ganhar um tostão sequer", escrevem eles.
Sim, é preciso levar em conta que, ao optarmos por trabalhar menos vamos também diminuir nossa renda que ganhamos com o trabalho. Mas, com mais tempo para nós, sonham os autores, sobrariam situações em que poderíamos, até mesmo, confeccionar coisas pelas quais pagamos por falta de tempo para fazer. Talvez possamos incluir entre elas a comida, embora aí outra roda do setor poderá ser impactada, a dos restaurantes que vivem de oferecer comida barata a trabalhadores.
O objetivo, no entanto, das pessoas que pensam esta nova economia é encorajar diferentes formas de divisão e reciprocidade que possam ir, gradualmente, deslocando a esteira que torna necessária a acumulação de dinheiro. Assim como, acreditam eles, com mais horas livres os trabalhadores fatalmente acabarão buscando novas formas de lazer cultural, o que os tornará pessoas diferentes, sem tanta necessidade de consumir.
Há, aí, uma tremenda diferença para a proposta japonesa. Nas terras orientais a redução do trabalho está sendo uma iniciativa tomada para encorajar, justamente, o consumo, dizem os especialistas ouvidos pela agência de notícias BBC. Será mesmo necessário este argumento para a terceira economia do mundo? A resposta a esta pergunta pode estar na preocupação do próprio governo japonês com as doenças provocadas pelo excesso de trabalho em sua população. Só no ano passado, 217 pessoas morreram porque não conseguiram organizar um tempo para si e entregaram-se de cabeça ao trabalho quase 24 horas por dia. Além disso, os suicídios estão aumentando por causa do exagerado rigor japonês ao cumprir mais do que as tarefas que lhes são normalmente impostas.
Já faz uma década que os britânicos pensadores da Nova Economia perceberam a ligação direta entre o bem estar e o trabalho. Para eles, a economia cresce – e aí será possível falar num desenvolvimento verdadeiramente sustentável – se os trabalhadores conseguirem criar e se eles forem desafiados num ambiente mais ameno. Mais ainda se for dado a eles mais tempo para fazer outras coisas, quem sabe até mesmo ter outro trabalho completamente diferente e que, talvez, o deixe mais feliz em algumas horas do dia.
Há, portanto, segundo os estudiosos que buscam brechas para propor mudanças no sistema atual levando em conta o tripé – social, econômico e ambiental – um jeito diferente de enxergar o trabalho. É claro que estamos aqui fazendo referências duas economias que não precisam se preocupar com taxas de desemprego. Números oficiais revelaram 1,5 milhão de jovens sem ocupação no país britânico, cuja população excede os 60 milhões. No Japão, esta taxa não chega a 3%.
Em relação a expressões do texto, analise as seguintes assertivas e assinale V, se verdadeiras, ou F, se falsas.
( ) A expressão ‘No coração’ (l.09-10) é empregada de forma conotativa e poderia ser alterada para ‘No âmago’, sem alteração de sentido.
( ) A palavra ‘fatalmente’ (l.24) é empregada de forma denotativa e tem o mesmo sentido que a expressão ‘sem sombra de dúvidas’.
( ) ‘entregaram-se de cabeça’ (l.32) é uma expressão popular que foi empregada de forma conotativa e tem o mesmo sentido de ‘empenhar-se’.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é: