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Diversos estudos recentes indicam que está se consolidando um novo perfil de candidato à docência: mais empobrecido e com pequena bagagem cultural. As informações da pesquisa Atratividade da Carreira Docente no Brasil confirmam esse panorama. Na sondagem da Fundação Victor Civita (FVC) em parceria com a Fundação Carlos Chagas (FCC), apenas 31 dos 1.501 estudantes pesquisados desejam ser professor. Alguns achados saltam aos olhos. Dos 31 alunos que querem ser professor, 27 (87% do total) saíram da escola pública. E a maioria, 24 (77%), é mulher. Resultados da pesquisa confirmam a mudança de perfil entre os que escolhem a docência: a maior parte dos candidatos de famílias de baixa renda e pouca escolarização, estudou em escola pública e, amiúde, trabalha para pagar a graduação.
Dois fatores foram elencados pelos jovens como os mais atraentes para a escolha da carreira: a possibilidade de trabalhar com crianças e ensinar e transmitir conhecimentos. De fato, outros estudos confirmam que o professor ampara-se em valores altruístas e como um agente de transformação social, o que reforça a ligação entre a docência e o prazer de trabalhar com a aprendizagem. Porém, a opção de se tornar professor também sofre forte influência de fatores externos, que acabam ajustando a escolha profissional à realidade. Conscientes das dificuldades que enfrentarão para passar num curso superior, adolescentes de baixa renda escolhem carreiras mais próximas suas possibilidades, levando em conta o baixo custo da mensalidade dos cursos de Licenciatura, a facilidade de ser admitido e a rápida obtenção de um emprego. A soma desses fatores tem levado escolas um grupo com fraca bagagem cultural; por exemplo, boa parte dos futuros professores declara conhecimento praticamente nulo em Inglês. Quando o recorte foca apenas os ingressantes nas graduações de Pedagogia, o panorama revela alunos com dificuldades de escrita e de compreensão de texto nas questões de Língua Portuguesa.
Além das dificuldades econômicas, alunos dos cursos de Pedagogia e Licenciaturas chegam à universidade com poucas referências culturais. "Em resumo, os futuros professores são estudantes que, principalmente pelas restrições financeiras, tiveram poucos recursos para investir em ações que lhes permitissem acesso a leitura, cinema, teatro, eventos artísticos, exposições e viagens", afirma o relatório final da pesquisa FVC/FCC.
Entretanto, em vez de culpar os futuros docentes por suas deficiências, o caminho é potencializar as características produtivas desses jovens – a luta pela ascensão social por meio da profissão – e auxiliá-los a superar suas limitações. "Eles querem demais aprender e têm respeito pela profissão de professor", diz uma especialista em Psicologia Educacional e professora universitária. Portanto, garantir uma formação inicial e continuada que cubra as lacunas de repertório cultural dos candidatos à sala de aula é um dos caminhos para reverter o ciclo vicioso que, até então, tem produzido poucos (e maus) professores.
Assinale a alternativa em que há uma palavra que NÃO segue a mesma regra de acentuação gráfica que as demais.