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Coração roubado
Por Ivan Martins
Certas metáforas não deveriam sair de moda. Quando eu era criança, ainda se usava a expressão roubar o coração como sinônimo de seduzir e conquistar. Hoje em dia ninguém mais fala assim. A linguagem foi empobrecendo e com ela a nossa capacidade de exprimir sentimentos importantes.
A imagem do coração roubado parece apenas um clichê, mas ela captura o que há de essencial, involuntário e perigoso no ato de amar. Alguém que rouba o seu coração toma o controle dos seus sentimentos, tira você violentamente de si mesmo, carrega a sua alma com ele ou com ela. De forma muito clara, o tem nas mãos. Isso não é algo a que a gente se entregue sem opor resistência. Ser sequestrado emocionalmente pelo amor é coisa assustadora. A gente perde o controle e se torna dependente do outro de uma forma _______. O que ele pensa, o que ele diz, a forma como nos olha, o dom da sua presença, que pode ser retirado a qualquer momento.
Diante dessa ameaça à nossa integridade psíquica, o pedaço sóbrio e racional de nossa mente se encolhe apavorado. Ele antevê desastre, tombo, quebradura. Ter o coração roubado sempre nos ...... um medo enorme. Por isso fugimos do sentimento e da situação, mesmo sem perceber.
Temos com o amor uma relação muito mais ambígua do que parece. Publicamente, todo mundo o deseja e procura. Intimamente, a conversa é outra. Temos dúvidas imensas. Entre um sentimento tranquilo que não parece amor e algo assustador que talvez seja, muitas vezes ficamos com o primeiro. Somos românticos de meia-pataca. Não achamos que o sofrimento é sublime. Os românticos do século XVIII estavam dispostos a morrer pelo que sentiam. Achavam lindo. Nós também, nos filmes. Na vida real, queremos estar dispostos na manhã de segunda-feira para correr e trabalhar. Somos gente prática.
O medo de amar é coisa mais séria e sutil. Talvez devêssemos procurar por ele em nós mesmos e nas pessoas com quem nos envolvemos. Sempre me lembro de um amigo que tinha uma namorada, mas achava que não tinha. A moça estava lá o tempo inteiro, como parte da vida dele, mas ele insistia que aquilo não era sério. Quando a moça se desencantou e partiu, o mundo do cara veio abaixo. Claro. Ele estava apaixonado, mas, por alguma razão, queria imaginar que não era o caso. Quando o comportamento evasivo é recorrente, quando histórias como essa se repetem, talvez tenhamos medo de amar. Ou talvez estejamos lidando com uma pessoa que tem. O que se chama por aí de dedo podre pode ser apenas uma _________ inconsciente por gente incapaz de se entregar aos sentimentos.
Eu gosto da ideia de ter o coração roubado, mas percebo que já fui mais corajoso quanto ..... isso. Com o passar do tempo e o acúmulo de desilusões – quem não as .....? –, a pessoa se torna mais cuidadosa. Sinto que hoje eu me protejo mais do que fazia no passado, e talvez haja nisso alguma sabedoria. Não se deve permitir que qualquer um nos roube o coração. Alguém que nos terá emocionalmente de joelhos deve ser digno desse _________. Que seja uma pessoa íntegra e generosa, ao menos. Que seja ela mesma capaz de amar. Quem nos rouba o coração não deveria ter o seu protegido .... sete chaves. Acontece, mas não é justo.
As lacunas tracejadas das linhas 10, 29 e 35 devem ser preenchidas, correta e respectivamente, por: