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O tema desta coluna é de interesse essencial e permanente, sobretudo para quem de verdade pensa no povo brasileiro, no progresso desta nação e em uma saída para as misérias, insegurança, aflição e falta de rumo em que de momento se encontra. Pois na educação, só nela, está a base de tudo isso: um povo educado é um povo informado, que saberá ter consciência de suas responsabilidades e escolher seu destino. Já escrevi várias vezes, e disse, e repito aqui, que educação é da maior importância para mim, pois sou de uma família de professores universitários, e tenho netos e netas em todos os níveis de escolaridade. Portanto, além de ser uma brasileira mais ou menos pensante, esse assunto me toca de perto, e a fundo.
Acredito firmemente que um governo é benfazejo para seu povo quando acima e antes de tudo aposta e investe em educação para todos, em todos os rincões do território, ainda que seja grande e complexo como este nosso. Com a educação de todos, sem exceção, virão os demais benefícios necessários a um povo digno, como saúde, infraestrutura, segurança, economia equilibrada e florescente, ótimas relações com os países estrangeiros, e lugar de destaque entre as nações civilizadas.
Penso, porém, que a maior parte das transformações realizadas na educação brasileira tem sido um desastre. Só para dar um exemplo simples e concreto: décadas atrás, havia nove anos do chamado "primeiro grau", mais três do "segundo grau", e aí se estava preparado para, após o vestibular, ingressar numa universidade. Mas suprimiram um ano do "primeiro grau", reduziu-se o estudo a oito anos, naturalmente retirando matérias e conteúdos. Era a onda do mais fácil, do não traumatizar a meninada, do aprender brincando. Era (continua sendo) quase proibido reprovar, corrigir, em suma, educar, nessa fase de fracos psicologismos. Mais despreparo para a profissão, e a vida, pois aprendemos também com trabalho, crescimento pessoal e discernimento.
Recentemente, devolveram o ano roubado dos meninos no chamado "primeiro grau": agora, estudam outra vez por nove anos antes de entrar no segundo grau, o antigo científico ou clássico. Mas descubro, com assombro, que em muitas escolas esse nono ano passa a ser uma repetição do oitavo: as mesmas matérias, os mesmos programas, até os mesmos passeios e visitas a museus ou outros locais de interesse. Portanto, nesse ano que lhes foi devolvido, em vez de aproveitar, a meninada boceja de tédio e desinteresse.
Agora, a novidade impensável, que de início considerei brincadeira ou pegadinha: um projeto que pretende reduzir os estudos a um conteúdo reles, minúsculo, que — só para dar um exemplo — abrangerá na história unicamente Brasil, África e Ameríndias (parece que os índios americanos também estão fora, vai ver já eram capitalistas...). Toda a história ocidental, Idade Média, Renascimento, Grécia (onde nasceu a base de tudo o que sabemos e somos), ficará de fora. Mais absurdamente isolados do que já estamos do mundo civilizado seria impossível — como será impossível estarmos mais desligados dos valores essenciais de um ser humano pensante, consciente, produtivo.
Não podemos ficar ainda mais atrasados, mais obtusos, mais desprezados do que já estamos. Fragilizados, alienados, despreparados, num obscurantismo patético, não saberemos de nossas raízes, ignorantes dos grandes tesouros do pensamento ocidental, porque, além de semianalfabetos, teremos cérebro atrofiado, esperanças empalidecidas, reduzidos a verdadeiros mendigos, primos pobres no chamado "concerto das nações". Reduzir o nível da educação que proporcionamos a nossas crianças e jovens (os que têm o privilégio de ir à escola) será mais uma tragédia sem nome para este país já tão aviltado.
À luz do que descreve Cunha sobre fonemas e morfemas, avalie as assertivas abaixo:
I. Radical é um morfema lexical, de onde irmanam as palavras da mesma família, transmitindo-lhes uma base comum de significação.
II. Afixos, ou morfemas derivacionais, são elementos que modificam, geralmente de maneira precisa, o sentido do radical a que se agregam.
III. Toda distinção significativa entre duas palavras de uma língua estabelecida pela oposição ou contraste entre dois sons revela que cada um desses sons representa uma unidade mental sonora diferente; essa unidade é denominada fonema.
Quais estão corretas?