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Para quem escrevemos? Em sala de aula, muitas vezes apenas para o professor, encarregado de corrigir redações e provas. Na "vida real", no entanto, a escrita é muito mais do que a capacidade de encadear frases bem construídas: como ferramenta de diálogo e interação, ela expressa parte do que nós somos e cria uma ponte para o universo das outras pessoas. Mas como motivar a escrita no contexto escolar muito mais pela vontade do que pela obrigação? Muitos professores encontram a resposta em atividades que unem o exercício escolar à realidade fora dos muros da escola, como a troca de correspondências.
Não é difícil encontrar experiências que deram certo. Em Bariri (SP), cidade com cerca de 30 mil habitantes, a professora de língua portuguesa Meire Fiuza Canal promove as trocas entre alunos do Ensino Fundamental de duas escolas estaduais. Ao longo dos últimos dez anos, a professora testou vários formatos e hoje aponta o que funciona melhor: aquele que estimula de fato a curiosidade do aluno e a preocupação com o interlocutor. Por isso, trocar cartas entre estudantes de escolas ou cidades diferentes tende a dar melhores resultados do que, por exemplo, pedir que as correspondências sejam escritas para familiares, pessoas que os alunos já conhecem e que, muitas vezes, não participam ativamente da troca. "O que estimula é essa possibilidade de pensar que o leitor existe", conta a professora. "Até quem não gosta ou diz que não sabe escrever bem acaba participando. É muito bom para ensinar as convenções da escrita, porque o aluno não quer escrever de forma errada para o outro. Eles têm interesse em apresentar o texto para correção do professor e, depois, em saber qual foi a reação do outro estudante à carta deles." No blog De Carta em Carta, Meire registra o dia a dia das atividades, apresenta reflexões e conta a história do projeto – que se tornou tema de livro e levou a professora a receber o Prêmio Professores do Brasil, criado pelo MEC, em 2009.
Segundo a professora Regina Celi Pereira da Silva, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), o sucesso desse tipo de atividade depende justamente da forma como ela é estruturada pelo docente. "É preciso sempre tomar cuidado com o artificialismo. O objetivo é tentar aproximar essas práticas ao máximo de trocas autênticas", diz a professora. Para isso, o contexto em que a atividade será realizada é muito importante – o professor precisa estar atento às diferenças entre turmas, escolas e cidades.
A colocação pronominal no fragmento “que se tornou tema de livro” (l. 21) atende à norma gramatical, assim como nos seguintes casos, EXCETO: