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O que nosso cérebro faz de nós
O que você faria se tivesse que responder a dezenas de milhares de comandos e comunicar-se com mais de mil pessoas ao mesmo tempo, sendo que essa troca de informações pode mudar o tempo todo? Se você fosse um neurônio, não teria problema algum. Agora imagine toda essa atividade sendo exercida por cerca de 86 bilhões de células neurais. É na intimidade desses circuitos de múltiplos contatos entre os neurônios, auxiliados por células, que transitam nossos instintos, afetos, pensamentos, subjetividade, nossa lógica, atitudes e estratégias, _______, quem somos.
Se o que somos é o resultado de nossas funções cerebrais, é importante esclarecer que as pessoas não são pré-determinadas, mas se constituem ao longo de sua vida. Somos todos diferentes não apenas porque resultamos de uma constituição genética diferente, mas porque vivemos diferentes experiências. No final das contas, ambos os fatores, a genética e a experiência, _____ sobre os circuitos neurais, sobre as conexões entre os neurônios, as sinapses.
Cada comportamento é o resultado das atividades cerebrais. É graças a essa plasticidade que experiências traumáticas podem ser superadas, que nosso humor é adaptável ao contexto, que nossas atitudes podem melhorar com nossos erros. Inventamos, planejamos a longo prazo, dimensionamos as consequências de nossos atos. No entanto, muitas dessas capacidades não são exclusividade humana. O cérebro vem evoluindo há milhões de anos. Responder a certos estímulos, regular nossas vísceras, corrigir a postura corporal e a locomoção, formar memórias, manifestar nosso medo e raiva fazem parte de nossos kits neurais básicos de sobrevivência.
Muito já se conhece sobre localizações de funções no cérebro, mas os neurocientistas seguem mesmo interessados em decifrar a área mais desenvolvida que os humanos possuem: o pré-frontal.
Sobre o cérebro, do ponto de vista molecular ao emocional e comportamental, muito vem sendo compreendido. Só que ao conhecê-lo melhor, deparamos com a realidade nua e crua dos mecanismos neurais, que pode, à primeira vista, ir contra preceitos até então soberanos. É o caso do livre-arbítrio. Ao ver como o cérebro processa e avalia decisões, encaramos o fato de que muita atividade neuronal já aconteceu antes de nos darmos conta de nossas vontades e intenções.
Outras áreas mais desenvolvidas no nosso cérebro são as da linguagem. Diz-se que a linguagem verbal é um dom da espécie humana. Ainda não há um veredicto final da ciência sobre isso, mas sim, é bem provável. A aprendizagem da linguagem pelas regiões cerebrais responsáveis floresce em conexões sinápticas e, com poucos meses de vida, independente da formação cultural de um povo, o cérebro aprende a reconhecer os fonemas da língua falada a sua volta, associando-os à mímica facial típica de cada som, seguindo um padrão universal. Mas, de novo, descobriu-se que não somente as crianças, mas outros mamíferos também são capazes de perceber categorias fonéticas.
Por isso, se quisermos entender _______ somos como somos, precisamos também conhecer o cérebro dos outros animais. As pesquisas do grupo de Suzana Herculano-Houzel reconhecem que o encéfalo humano não possui um número excepcionalmente maior de neurônios cerebrais que explique as nossas habilidades cognitivas superiores. Talvez o que possa justificar essa diferença cognitiva seja a incrível ideia que nossos ancestrais tiveram de, um dia, cozinharem a comida que consumiam. Daí pra diante, nosso cérebro que arduamente orquestrava comportamentos e trabalhosas funções digestórias e metabólicas para obter energia de alimentos ____ pôde, então, se dedicar a outras atividades, como falar, filosofar, criar. E a história humana tomou um rumo diferente da de outras espécies.
Analise as seguintes afirmações acerca de determinadas formas verbais do texto:
I. As ocorrências da forma verbal há (linhas 17 e 29) podem ser substituídas, respectivamente, por fazem e existe, sem que em nenhum dos casos haja incorreção gramatical.
II. toma conhecimento substituiria adequadamente aprende (l. 32), havendo, no entanto, necessidade de ajustes na estrutura da frase.
III. Na linha 39, dê explicações sobre substitui corretamente explique sem necessidade de ajustes estruturais na frase.
Quais estão corretas?