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A Bíblia, ainda entre os escritos mais publicados e lidos no mundo, pode ser considerada, dependendo dos leitores, um livro de espiritualidade, ensinamentos, revelação do Criador à criatura, literatura, entre outros. Todavia, ao mesmo tempo que qualquer uma dessas concepções, a Bíblia é também um livro com elementos culturais, como convenções, costumes e visões de mundo de grupos humanos ao longo de certo tempo.
Por exemplo, conforme o relato bíblico da criação, Deus fez o homem e de um pedaço deste – uma costela – fez a mulher. E coube ao homem decidir se a criação a partir de sua costela estava boa para ele. Nesse relato, nota-se como base uma cultura machista e patriarcal, na qual não há espaço para a igualdade entre homem e mulher. No entanto, o também relato bíblico sobre o modo de vida e ensinamentos de Jesus de Nazaré, voltados para uma cultura de paz, de justiça, de respeito à vida, igualando na existência todos os seres humanos, mostra uma postura oposta a essa.
Assim, se por um lado, na narrativa da criação, evidencia-se uma cultura centrada no macho, com todo o resto a seu serviço e sob o seu comando, por outro, a figura carismática do nazareno orienta para a igualdade e a misericórdia, chegando a afrontar os grandes da época, afirmando que publicanos e prostitutas os precederiam no reino de Deus. Nesta lógica, o discurso da criação provavelmente seria algo parecido com o seguinte: “E Deus fez dois seres essencialmente iguais. A um designou ser homem, a outro, ser mulher. E ambos, homem e mulher, reconheceram-se como pessoas cheias de possibilidades.”
Portanto, os que professam religiões cristãs precisam ter ciência de que nem todo conteúdo da Bíblia pode ser tomado como ensinamento a ser praticado. Há na Bíblia mensagens magníficas, como as da vida de Jesus, mas há também elementos culturais. Estes não devem, em circunstância alguma, ser interpretados como ensinamento divino, principalmente porque podem ser usados como base para a intolerância, a discriminação, a subserviência, a dominação, a homofobia, a violência explícita, e tantas outras posturas ou comportamentos danosos.
Em: “Nesta lógica, o discurso da criação provavelmente seria algo parecido [...]” (linhas 41-43), considere a palavra em negrito no trecho e em relação ao texto e marque a alternativa INCORRETA.