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A vida é longa demais pra se preocupar, e curta demais pra poder se arrepender
Desde que o mundo é mundo, o homem procura compreender o que é o tempo, este fenômeno inevitável e insondável capaz de trazer rugas, alívio, verdades, sabedoria e tantas outras coisas.
Das certezas da vida, uma é a passagem do tempo. Façamos o que for, ele irá passar, impiedoso e imponente, escancarando a cada instante a impotência do homem, que se julga imperador absoluto do universo.
A batalha contra o tempo já nasceu perdida. Ainda não há, ao menos na pequenez do homem médio, a possibilidade de contra ele triunfar. Resta apenas propor, de joelhos, uma reverencial parceria, buscando, em sua irremissível passagem, a possibilidade de coexistência pacífica. Uma bandeira branca, por assim dizer. Um humilde cessar-fogo.
[...] Desde Heráclito, já é sabido que “não se banha duas vezes no mesmo rio”, pois que o rio não é o mesmo, assim como seu banhista. O tempo passa, a vida flui, e de repente o homem se vê outro, diferente em suas perspectivas e compreensões, nadando em águas renovadas de seu rio particular.
Do auge de sua vivência, no entanto, por vezes se atreve a mergulhar em águas passadas e sofrer por capítulos errados da história que já construiu. Condena-se por atitudes pretéritas, por estupidez cometida em épocas de pouca experiência e maturidade, revivendo intensamente as más escolhas de tempos que não voltam mais, chicoteando-se hoje por quem fora ontem.
Não adianta, homem. Não adianta. Hoje se é alguém diferente do que já se foi. Julgar-se com os olhos de hoje, construídos após suados degraus de experiência, é como desejar que uma casa esteja inteiramente construída com a colocação de um só tijolo. Simplesmente não faz sentido. O homem que se foi ontem deve ser enxergado pelos olhos do homem que se foi ontem. Se más escolhas foram feitas, resta apenas trabalhar agora para que outras melhores sejam tomadas, utilizando os caminhos tortuosos do passado como aprendizagem.
Releia este trecho do texto.
[...] Desde Heráclito, já é sabido que “não se banha duas vezes no mesmo rio”, pois que o rio não é o mesmo, assim como seu banhista. O tempo passa, a vida flui, e de repente o homem se vê outro, diferente em suas perspectivas e compreensões, nadando em águas renovadas de seu rio particular.
Assinale a alternativa que apresenta corretamente a razão para o uso das aspas nesse trecho.