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Café e fígado
O café é bebida milenar originária do Oriente Médio e da Etiópia. O seu consumo mundial diário é estimado em 2,25 bilhões de taças em todos os continentes, ou seja, 7 000 000 de toneladas por ano. O Brasil se destaca como um dos principais produtores e também como mercado consumidor.
O café contém cafeína, uma metaxantina também encontrada em chás e outras plantas. Faz tempo que se conhecem as propriedades estimulantes da cafeína para o cérebro humano, como também a possibilidade de gerar insônia ou arritmia cardíaca em alguns indivíduos que consomem a bebida em excesso ou possuem susceptibilidade genética a esses efeitos. Por outro lado, recentemente, o café foi cientificamente estudado quanto aos seus efeitos em outros órgãos e sistemas. No fígado, os estudos científicos têm demonstrado os benefícios dessa bebida na prevenção de doenças hepáticas e também no tratamento adjuvante de diversos agravos hepáticos.
No tratamento da hepatite C, o consumo de duas a cinco xícaras de café por dia é recomendado por especialistas, pois foi observada melhor chance de resposta ao tratamento antiviral.
Mais recentemente, observou-se que a cafeína se liga aos receptores de uma molécula chamada adenosina. Este aspecto faz reduzir o mecanismo de fibrogênese hepática gerada por agressões – de qualquer natureza – às células do fígado. Torna-se, portanto, um agente possivelmente antifibrosante, reduzindo assim a evolução das doenças hepáticas para a cirrose.
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Uma meta-análise envolvendo 16 estudos confirmou que o risco do desenvolvimento do câncer de fígado entre aqueles que consumiam café é reduzido se comparado aos que não o consumiam.
Assim sendo, não há qualquer evidência científica que demonize o café como inimigo do fígado como, infelizmente, circula na internet ou em algumas práticas médicas dissociadas da ciência.
Como medicina não é seita, medicina é ciência, todos os jargões que santificam o chá verde e demonizam o café não passam de práticas sem crivo científico e que precisam ser coibidas no nosso país. Infelizmente, a fácil circulação de informações na internet e outros meios de comunicação geram falsos conceitos e fazem vítimas entre indivíduos de boa-fé.
Enquanto alguns alardeiam os benefícios do chá verde, a literatura médica é repleta de casos de toxicidade por essa bebida, pois o seu princípio ativo, a catequina, é comprovadamente tóxica para o fígado, inclusive porque é um agente pró-oxidante e não antioxidante como dizem aqueles que não respeitam a medicina baseada em evidência científica. Já o café, basta ter acesso às fontes confiáveis de ciência médica para observar que não existem justificativas para tratá-lo como um “inimigo do fígado”.
O trecho “Torna-se, portanto, um agente possivelmente antifibrosante [...].” não manteve seu sentido original em: