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Caçador de paturis
Rolando Boldrin
Os caipiras conversam sobre como caçam paturis. O primeiro usa a forma tradicional de pegá-los, o segundo faz diferente.
Eram dois caipiras metidos a caçadores de paturis, aquele pássaro que lembra um patinho e que sempre anda em bando, numa algazarra danada:
— Cumpadi, cumé que ocê costuma caçá paturi?
— Cumo quarqué pessoa. Caçando nos mato. Que pergunta mais estapafúrdia, cumpadi.
— Espera aí, cumpadi. Que é caçando, eu sei, mas quero sabê com o quê ocê custuma caçá.
— Como que havéra de sê? Com a minha espingarda de cartucho, ué! Ocê sabe que a carga é grande. Intão na hora que eu puxo o gatilho, eu chaquaio o braço pra móde espaiá a porva. Derrubo uns 10 paturi só com um tiro da bicharêda.
— Pois eu faço diferente. Caço de noite e sem espingarda nenhuma. A minha lanterna é daquelas que tem um facho grandão de luz que parece olofróte dos campo de aviação.
— Ara! Já tô querendo sabê como é isso. Caçá de noite e só cum a lanterna, pra mim é nova, cumpadi.
— Espia só. Os paturi chegam em bando e vão se aninhando naquela arve frondosa. Ficam ali apinhocado mais de 200. Tudo pronto pra drumi. Pois bem. Eu chego quietinho com a minha lanterna no escuro, aprumo pra riba, pra perto da arve e acendo o facho de luz, pro rumo do céu. Aí eu começo a rodopiá aquele facho de luz. De repente, os paturi percebe e entra naquele facho de luz que formou ansim quiném um anér. E entra mais outro, e mais outro. Eu continuo rodando aquele anér de luz… E quando a roda toda tá cheia de paturi… aí eu, num solavanco de surpresa, rodopio ao contrário. Os paturi trombam tudo uns nos ôtro e cai aquele despropósito no chão. Tudo tonto co as cabeçada que deram!
Assinale a alternativa em que todas as palavras estão grafadas CORRETAMENTE.