///
INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder às questões de 1 a 10.
O que é falso e o que é verdade nas mensagens de Whatsapp sobre Zika
Nas últimas semanas, mensagens escritas e em áudio nas redes sociais – especialmente no WhatsApp – têm criado alarme na população ao narrar cenários catastróficos sobre o surto de zika vírus e sua relação com a epidemia de microcefalia no país.
Até o dia 5 de dezembro, o Ministério da Saúde registrou 1.761 casos de microcefalia, uma má-formação que prejudica o desenvolvimento do cérebro do bebê, em 14 Estados. Já foi confirmada a relação entre a explosão dos casos e a proliferação do zika vírus, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti.
Dizendo ter informações “de fonte segura”, os autores das mensagens falam em um suposto aumento de casos de complicações neurológicas graves, atingindo especialmente crianças até os sete anos e idosos, que não poderiam ser revelados, a pedido das autoridades.
O Ministério da Saúde, a Fiocruz e especialistas consultados pela BBC Brasil explicam o que é falso, o que é verdadeiro e o que ainda não está totalmente confirmado entre as afirmações dessas mensagens.
Falso: Crianças de 1 a 7 anos e idosos estão apresentando ‘sequelas neurológicas graves’ após zika
Segundo as autoridades de saúde, a informação não é verdadeira simplesmente porque pessoas de qualquer idade podem ter casos mais graves após serem infectados por diversos vírus e bactérias.
“O vírus da zika e outros, como varicela, herpes vírus, enterovírus e até dengue, podem causar outros danos neurológicos – encefalites, cerebelites e neurites (inflamações no sistema nervoso) –, mas no cenário atual não está havendo aumento desses casos. Isso acontece talvez em 1% dos casos totais e geralmente em pacientes com baixa imunidade”, diz a neuropediatra Maria Durce Carvalho, que acompanha casos de microcefalia e outras infecções no Hospital Oswaldo Cruz, em Recife.
O Ministério da Saúde, por sua vez, diz que “entre pessoas infectadas pelo vírus da zika, cerca de 80% não desenvolvem sintomas, sejam adultos ou crianças. Dentre essas pessoas, apenas uma pequena parcela pode vir a desenvolver algum tipo de complicação, que deverá ser avaliada pelos médicos, uma vez que o zika é uma doença nova e suas complicações ainda não foram descritas”.
Não há confirmação: Há aumento expressivo de casos de síndromes neurológicas associadas à zika
Ao menos seis Estados do Nordeste registraram, em 2015, aumento no número de casos registrados de Síndrome de Guillain-Barré, uma rara doença neurológica autoimune que pode ser provocada por diversos vírus e bactérias, incluindo o zika vírus, a dengue e a chikungunya.
A doença, que tem tratamento, provoca paralisia muscular e, em casos graves, pode paralisar os músculos do pulmão e impedir a respiração.
Mas essa síndrome passou a ser registrada com mais frequência depois que foi confirmado que o zika vírus poderia causá-la. Normalmente, os serviços de saúde não são obrigados a notificar ocorrências da doença para as secretarias estaduais.
Por causa disso, o Ministério da Saúde diz não ter registros da síndrome no país. Já alguns Estados têm dados sobre a ocorrência da doença em 2015, mas não em anos anteriores. Isso torna mais difícil saber se o aumento dos casos é realmente fora do que ocorreria normalmente após o surto de um vírus como o zika.
Não há confirmação: Zika pode ser transmitida por fluidos corporais (sêmen, leite materno, etc.)
Alguns trabalhos científicos internacionais identificaram a presença do vírus da zika no sêmen e no leite materno, mas os cientistas ainda pesquisam se a doença realmente pode ser transmitida por eles. Até o momento, a única forma confirmada de transmissão do vírus é pelo mosquito.
“A transmissão sexual seria possível, porque já há publicação e relato de pessoas com quem isso aconteceu. Mas é uma situação única, porque a pessoa tem que estar infectada, doente e ter relação exatamente nessa época. Não seria uma forma principal de infecção, mas é importante se prevenir”, diz o microbiólogo Davis Ferreira.
Segundo a Secretaria de Saúde de Pernambuco, ainda não existem provas suficientes de que o vírus possa ser transmitido pelo leite materno para que se recomende interromper a amamentação. Além da nutrição do bebê, o leite materno é importante para protegê-lo de doenças.
Além disso, os especialistas esclarecem que, ainda que infectado pelo vírus, o bebê recém-nascido não desenvolveria microcefalia, porque seu cérebro já está praticamente formado.
Verdade: Pode haver mais de 2 mil casos de microcefalia até o fim do ano
O Brasil já tem 1.761 casos notificados de microcefalia até o dia 5 de dezembro. O número de notificações tem crescido em cerca de 500 por semana até o momento, mas nem todas são de bebês recém-nascidos. Alguns deles tiveram a suspeita de microcefalia notificada algum tempo depois do nascimento.
Diante deste cenário, segundo o Ministério da Saúde, é razoável supor que até o final do mês de dezembro haja cerca de 2 mil notificações.
No entanto, é preciso lembrar que nem todos os casos notificados são confirmados – às vezes o bebê nasce pequeno como um todo e, em outros casos, pode não ter lesões no cérebro que caracterizam os casos de microcefalia.
Em Pernambuco, onde há 804 notificações, 251 casos foram confirmados e 16 foram descartados até agora, segundo o boletim divulgado na quarta-feira pela Secretaria de Saúde.
Por isso, apesar do número alto de notificações, existe a possibilidade de que o número de casos confirmados seja menor.
Verdade: A melhor proteção contra a zika é combater o mosquito Aedes aegypti
Até o momento, não há vacina contra o zika vírus no mundo. E o processo de desenvolvimento e aprovação de uma pode levar até 10 anos, segundo o Ministério da Saúde.
Além disso, atualmente é difícil até mesmo diagnosticar a doença e diferenciá-la com certeza da dengue e da febre chikungunya.
Portanto, a melhor forma de se prevenir continua sendo evitar o contato com o mosquito Aedes aegypti, que transmite todas elas.
Além de evitar manter água parada em reservatórios sem tampa ou em utensílios domésticos, é essencial usar repelente tanto em adultos quanto em crianças após os seis meses de idade.
Para gestantes e recém-nascidos, recomenda-se também usar roupas longas, que deixem menos partes do corpo expostas.
Algumas mensagens no WhatsApp recomendam o uso de repelentes caseiros, mas, segundo os médicos, não há comprovação de que eles são eficientes.
Nas farmácias, há repelentes à base de substâncias como DEET, EBAAP e Icaridina, em concentrações diferentes. Todos eles podem ser usados por gestantes e por crianças a partir dos 2 anos. Para as crianças, no entanto, é recomendado repelentes menos concentrados.
Os médicos recomendam passar o produto na pele e por cima das roupas, especialmente nos horários que os mosquitos mais atacam, à noite e no início da manhã.
Ao relatar que “A transmissão sexual seria possível, porque já há publicação e relato de pessoas com quem isso aconteceu.”, o tempo e o modo em que se encontra o verbo “ser” indica: