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Vamos começar nossa conversa a respeito de poesia em sala de aula lembrando um poema de Antônio Carlos de Brito, o Cacaso. Ele traduz bem a concepção de poesia e de literatura que penso ser a mais adequada para conduzir o trabalho com a literatura em geral e a poesia em específico em contextos de ensino, os quais podem produzir, além da criticidade, a humanidade dos seres humanos. Cacaso era mestre em criar preciosidades em forma de poemas-pílula; era um sábio que ensinava a moçada de seu tempo a viver e a escrever poesia por meio dos seus aforismos desaforados, bem-humorados, doces e amargos. Eis o “poeminha”: Na corda bamba [para Chico Alvim]
Poesia
Eu não te escrevo
Eu te
Vivo
E viva nós!
Nesse texto que, na verdade, sintetiza toda a sua poética, Cacaso embaralha alguns elementos que, na concepção escolar mais tradicional de poesia, estão separados. No contexto escolar, poesia e vida são, quase sempre, coisas completamente diferentes. A poesia é, em geral, apresentada aos alunos com uma aura de solenidade que apaga suas relações com a vida real das pessoas.
No que tange aos traços estilísticos-composicionais, é correto afirmar que o texto indica, de forma predominante, características do gênero