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Vogal átona
As palavras portuguesas que recebemos da tradição e do contato dos primeiros civilizadores só aparentam certa fidelidade na escrita. A prosódia, porém, é nossa e inteiramente distinta e diversa do falar lusitano.
Esse matiz diferencial constitui o sotaque brasileiro que lutou muito para ganhar independência e liberdade.
Conservamos ainda alguns nomes indígenas deturpados pela prosódia europeia.
A língua dos índios não possuía, por exemplo, caso de junção imediata de duas consoantes. Assim, dizia Serigipe, Paranambuco. Os portugueses, desses nomes fizeram, segundo a sua prosódia, Sergipe e Parnambuco ou Pernambuco. Assim, é um caso de prosódia lusitana Parnaíba em vez de Paranaíba.
São vestígios de prosódia europeia, que ainda sobrevivem no uso corrente. Uns poucos de brasileirismos acusam a intervenção europeia: crueira, traíra, gravatá, ou graguatá, em lugar de curuera, taraíra, garauatá.
Não temos, na realidade, vogais átonas ou breves, senão em raríssimos exemplos, e hoje não distinguimos os valores prosódicos do o = u, e = quase i e o i breve de pronúncia difícil.
O caso mais grave e sensível é o do tratamento da vogal – e – que, quando átona, os brasileiros o sabem pronunciar fielmente.
A vogal – e –, quando átona, isto é, não acentuada, tem um som especial que se aproxima do – u – pronunciado de modo surdo e muito breve. Compare-se a prosódia da palavra pessoa nos dois países da língua comum. Nós pronunciamos segundo a palavra escrita, ao passo que os portugueses dizem pussôa ou p’ssoa, e dizem muito bem, pois a língua é a deles.
Com base na norma-padrão da língua portuguesa, assinale a alternativa que apresenta palavras acentuadas segundo a mesma regra gramatical.