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Parece que ninguém está nem aí para você? É a tecnologia da desescutação? (Christian Dunker) Tendemos a interpretar palavras como “arte” ou “tecnologia” com um sentido positivo. No entanto, existem artes que prosperam de forma silenciosa ou indireta, que nos levam a técnicas de si, que em um contexto social podem ser produtivas ou de acordo com ideais e em outro se tornam profundamente contraproducentes. Pensemos em Dom Quixote, que se apega a valores como honra, coragem e nobreza, mas se torna um personagem anacrônico a ponto de ser tomado por louco. Por exemplo em uma cultura de altíssimo engajamento atencional, contra a oferta digital de dispersão, produzirá um sentimento genérico de que estamos todos desatentos, desconcentrados e sem foco. Assim também a arte de deixar de escutar o outro pode ser desenvolvida no contexto de excesso de foco em outras coisas. Tecnologias de desescutação podem ser descritas, assim como qualidades do tipo “fidelidade a objetivos”, aderência à disciplina”, “foco em resultados” podem concorrer para a desescutação. [...] A sensação é de que está cada vez mais difícil escutar o outro. Assumir a sua perspectiva, refletir, reposicionar-se e fazer convergir diferenças está cada vez mais difícil de ser praticada. Isso se aplica tanto ao espaço público com suas novas e inesperadas conformações digitais quanto ao espaço privado das relações amorosas ou amistosas, passando pelas relações laborais e institucionalizadas. Uma descrição resumida desta situação costuma salientar que nossa vida está cada vez mais acelerada, icônica e funcionalizada. A aceleração é um fenômeno da cultura da performance generalizada, derivada do universo da produção e da soberania do resultado. Vivemos hoje com um acervo de instrumentos e meios que excedem o limite de nossas faculdades mentais “em estado natural”. Isso afeta brutalmente a situação de fala, que de certa forma se torna um pouco anacrônica. Não é por acaso que novas síndromes envolvendo mutismo seletivo (como o do personagem Rajesh Koothrappali do seriado “The Big Bang Theory”) e o mutismo generalizado em crianças sejam cada vez mais frequentes. Neste ponto, não há exatamente uma novidade, mas o exagero e aprofundamento deste princípio que define a modernidade desde Baudelaire e Benjamin. [...]
Considere o período abaixo para responder às questões 5 e 6.
“Uma descrição resumida desta situação costuma salientar que nossa vida está cada vez mais acelerada, icônica e funcionalizada.” (5º§)
A oração destacada estabelece uma relação sintática com a anterior e deve ser classificada como: