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Leia com atenção o texto do escritor português Valter Hugo Mãe, “O paraíso são os outros”, para responder às questões 1, 2, 3 e 4 a seguir.
(Adaptado)
Reparei desde pequena que os adultos vivem muito em casais, mesmo que nem sempre sejam óbvios porque algumas pessoas têm par mas andam avulsas como as solteiras (...) Gostarmos de alguém, mesmo quando estamos parados durante o tempo de dormir, é como fazer prédios ou cozinhar para mesas de mil lugares. Mas amar é um trabalho bom. A minha mãe diz. Os casais são criados por causa do amor. Eu estou sempre à espera de entender melhor o que é. Sei que é algo como gostar tanto que dá vontade de grudar. Ficar agarrado, não fazer nada longe. Os casais são isso: gente muito perto. (...) Descubro cada vez mais que o paraíso são os outros. Vi num livro para adultos. Li só isso: o paraíso são os outros. A nossa felicidade depende de alguém. Eu compreendo bem. Mães, pais, filhos, outra família e amigos, todas as pessoas são a felicidade de alguém, porque a solidão é uma perda de sentido que faz pouca coisa valer a pena. Na solidão, vale só a pena pensar em tentar encontrar alguém. O resto é a tristeza. A tristeza a gente respeita e deita fora. A tristeza a gente respeita e, na primeira oportunidade, deita fora. É como algo descartável. Precisamos usar mas não é bom ficar guardada. Os casais formam-se para serem o paraíso. Ao menos assim devia ser. Há casais que vivem no inferno mas isso está errado. Pertencer a um casal tem que ser uma coisa boa. Eu, quando for adulta e encontrar quem vou amar, quero ser feliz. Não vou sequer ter paciência para quem me impedir. Precisamos fugir de toda maldade antes que deixemos de saber fugir. A maldade deve ser eliminada logo na primeira situação. A minha tia viveu com o meu antigo tio até ao dia em que ele bateu nela. Depois, fez a mala e foi procurar apaixonar-se outra vez. Quem bate é burro e estúpido. A polícia deve prender. Ela casou novamente. O meu novo tio é brincalhão, conta anedotas e todos gostamos mais dele. A minha tia até ficou mais bonita. Não sei o que lhe deu.
Eu acho que as pessoas apaixonadas sentem saudade mesmo quando estão juntas porque ficam sempre a olhar umas para as outras pasmadas como se fosse a primeira vez. Até como se fosse a primeira vez que vissem sapos, neve, cataratas, aqueles peixes voadores, jacarés, prédios com mais de trinta andares ou o Miguel a enrolar os olhos. As pessoas mais velhas, quando são um casal, dão beijos pequenos. As pessoas mais novas costumam dar beijos mais longos, cheios de paciência. Eu não tenho muita paciência. Devo ter a alma mais velha. Não sei. Também não acredito muito que beijar seja como construir prédios, embora alguns beijos pareçam cansar. Há casais que ficam mesmo sem ar, como quem andou a carregar tijolos.
Não estou certa de que quero que me falte o ar ou de que quero carregar tijolos. Tenho muitas dúvidas. Quando me apaixonar, dizem-me fico logo esclarecida. Aguardarei, desconfiada. Não aceito as coisas à pressa, preciso pensar.
De acordo com a Gramática Normativa da Língua Portuguesa, assinale a alternativa que apresenta os antônimos das palavras longe / paraíso / descartável, respectivamente ordenados.