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Eu sei, muito pouca gente lê nos dias de hoje. Eu sei; dentro dos poucos que leem, pouquíssimos dão valor a textos de humor. Sim, eu sei, o autor sofrer de incontinência verbal e ficar lançando livros como quem cospe sementes de melancia na terra não é nada positivo para sua carreira. Eu sei disso tudo e mais: sou um sujeito que produz material “perigoso”. Ou seja, não concorro a prêmios, não sou congregado de nenhuma academia ou igrejinha, e tenho uma enorme preguiça de dar entrevistas. Pior: não tenho TikTok e nem faço ideia de como usar o celular para gravar vídeos promocionais. Em outras palavras, eu sei que meu 18º livro, se vender alguma coisa, não vai dar para pagar nem o revisor, quanto mais meu aluguel. Então, por que ficar insistindo no erro desde 1996, quando estreei no mundão das letras com “Aqui jaz - o livro dos epitáfios”? Masoquismo é a primeira palavra que vem à cabeça. Obsessão é a segunda. Vaidade, a terceira. Não creio, entretanto, que elas expliquem claramente o que acontece comigo - o buraco na camada de teimosia é mais embaixo.
Masoquismo é a primeira palavra que vem à cabeça. Obsessão é a segunda. Vaidade, a terceira. Observa-se uma elipse verbal similar à utilizada no trecho acima: