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Isso me fez lembrar uma visita que recebemos em casa, eu ainda menino. Amigas da família, mãe e filha adolescente vieram tomar um lanche conosco. D. Glorinha, a mãe, achava meu pai um homem intelectualizado e caprichava no vocabulário. A certa altura pediu ela a mim, que estava sentado numa extremidade da mesa: − Querido, pode alcançar-me uma côdea desse pão?
− Por falta de preparo linguístico não sabia como atender
a seu pedido. Socorreu-me a filha adolescente:
− Ela quer uma casquinha do pão. Ela fala sempre assim
na casa dos outros.
− A mãe ficou vermelha, isto é, ruborizou, enrubesceu,
rubificou, e olhou a filha com reprovação, isto é, dardejou-a com
olhos censórios.
Veja-se, para concluir, mais um trechinho do Werneck: “Você pode achar que estou sendo implicante,
metido a policiar a linguagem alheia. Brasileiro é assim
mesmo, adora embonitar a conversa para impressionar os
outros. Sei disso. Eu próprio já andei escrevendo sobre o
que chamei de ruibarbosismo: o uso de palavreado rebarbativo como forma de, numa discussão, reduzir ao silêncio
o interlocutor ignaro. Uma espécie de gás paralisante
verbal.”
As normas de concordância verbal estão plenamente observadas na frase: