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Da idade
Sou de opinião que aos vinte anos nosso espírito já se desenvolveu completamente, já é o que será e mostra o de que é capaz. O espírito que até essa idade não deu demonstração evidente de sua fortaleza nunca o dará mais tarde. As qualidades e virtudes de nossa natureza já revelaram, então, o que têm de rigoroso e belo − ou nunca o revelarão. “Se o espinho não pica ao nascer, bem pouco ou nada picará”, já se disse.
As mais belas ações que conheço, deste século ou dos séculos passados, foram praticadas antes dos trinta anos. Quanto a mim, creio ser evidente que meu espírito e meu físico antes diminuíram, depois dessa idade, que aumentaram em força e em lucidez. É o que me leva a considerar desajustadas as nossas leis, não porque nos deixam trabalhar até uma idade demasiado avançada, mas por não o permitirem suficientemente cedo.
(Adaptado de Montaigne, Ensaios)
Nosso espírito logo se define, logo se agregam ao nosso espírito as marcas que distinguirão nosso espírito para sempre, já que nunca faltarão ao nosso espírito os impulsos determinantes da natureza.
Evitam-se as viciosas repetições da frase acima substituindo-se os elementos sublinhados, respectivamente, por: