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Vou contar-vos uma coisa que me sucedeu ontem: é um dos episódios mais interessantes de minha vida de escritor. Aposto que nunca vistes escrever sem tinta! Pois lede estas primeiras páginas, compreendereis como aquele milagre é possível no século atual, no século do progresso. Eis o caso. Foi ontem, por volta das dez horas. Estava em casa de um amigo, e aí mesmo dispunha-me a escrever a minha revista. Sentei-me à mesa, e, com todo o desplante de um homem, que não sabe o que tem a dizer, ia dar começo ao meu folhetim, quando... Talvez não acrediteis. Tomei a pena e levei-a ao tinteiro; mas ela estremeceu toda, coitadinha, e saiu intata e pura. Não trazia nem uma niilidade de tinta. Fiz nova experiência, e foi debalde. O caso tornava-se grave, e já ia saindo do meu sério, quando a pena deu um passo, creio que temperou a garganta, e pediu a palavra. Estava perdido! Tinha uma pena oradora, tinha discussões parlamentares, discurso de cinco e seis horas. Que elementos para não trabalhar! Nada; era preciso pôr um termo a semelhante abuso, e tomar uma resolução pronta e imediata. Comecei por bater o pé, e passar uma repreensão severa nos meus dois empregados, que assim se esqueciam dos seus deveres. O meio era bom, e surtiu o desejado efeito como sempre. Entramos em explicações; e no fim de contas soube a causa dessa dissidência. A pena se tinha declarado em oposição aberta; o tinteiro era ministerial de fato. E ambos tão decididos nas suas opiniões, que não havia meio de fazê-los voltar atrás.
Assinale a alternativa em que o termo destacado pertence à mesma classe de palavra que o termo destacado em “…que assim se esqueciam dos seus deveres.” (13º parágrafo).