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Mulheres... Mulheres
Duas donas muito próximas me vieram contar a mesma estória. Paradas por um polícia de trânsito e ao indagarem se tinham feito algum erro, ouviram do agente a mesma justificação: temos de controlar os documentos, é que agora as mulheres estão a cometer muito. Temos a ideia, talvez errada, que as mulheres conduzem com mais prudência, chegando mesmo a dificultarem a fluidez do tráfego pela sua lentidão, que se não enganam quanto aos sinais e respeitam as prioridades, que nunca se enervam nem insultam os outros motoristas, etc., etc. Pois, a julgar pelo que dizem estes polícias, elas cometem cada vez mais infrações, começando por não terem carta de condução*, não usarem documentos das viaturas* e se especializarem em manobras perigosas neste já catastrófico trânsito de Luanda. Pasmei, mas eram duas testemunhas independentes.
Não tenho dados para discutir se têm aumentado os atos ilícitos ou criminalidade por parte das mulheres. Claro, conheço casos de senhoras apanhadas em tráfico de drogas nos aeroportos e homicídios praticados por elas, alguns mesmo com relevância midiática. E, de vez em quando, presencio cenas de pancadaria envolvendo as “divinas”, embora nunca em estádio de futebol, apesar de aumentar o número de assistentes femininas nos desafios. A violência no futebol parece ainda ser atributo masculino.
* carta de condução: carteira de habilitação.
* viaturas: carros.
Na frase “E, de vez em quando, presencio cenas de pancadaria envolvendo as ‘divinas’...” (2º parágrafo), a ação expressa pela forma verbal destacada