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A população urbana aumentou no mundo de 10% para 50% no total da humanidade, ao longo do século passado. Previsões indicam que, em meados deste século, as grandes cidades vão abrigar 75% de toda a população mundial. Com mais de 200 milhões de habitantes, 85% nos grandes centros, o Brasil terá, até 2030, 91% de sua população concentrada nas cidades, especialmente nas metrópoles, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU). Só as duas maiores, São Paulo e Rio de Janeiro, reúnem 20% da população urbana brasileira.
O que leva as pessoas a se amontoarem, em especial nas metrópoles, são as perspectivas de prosperidade e de mais qualidade de vida, em termos de emprego, habitação, saúde e educação. Ainda hoje, as cidades grandes e mais antigas respondem por quase metade do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Ou seja, os grandes centros urbanos se tornaram o lugar privilegiado de intercâmbio econômico mundial e das melhores oportunidades ligadas ao conhecimento, à pesquisa e à inovação.
Apesar de sua dimensão estratégica para o desenvolvimento socioeconômico do Brasil, a questão urbana permanece sem um debate nacional à altura de sua importância e a gestão das cidades recebeu pouco estudo e investimento até agora.
Essas foram algumas das razões que levaram a Confederação Nacional da Indústria (CNI) a promover, com o apoio do jornal O Globo, o seminário Desafios da Mobilidade Urbana no Brasil, realizado no Rio. O seminário reuniu representantes da indústria, do poder público e da sociedade civil e uma plateia de 150 pessoas. O ponto de partida para as discussões foi um estudo coordenado pelo arquiteto e urbanista Sérgio Magalhães sobre o tema.
O vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia e presidente do Conselho de Infraestrutura da CNI, José de Freitas Mascarenhas, revelou que o próprio setor produtivo já sente os efeitos da deterioração das cidades.
Ele citou como exemplo o aumento de 8% para 17%, de 1992 até agora, dos trabalhadores que levam mais de uma hora no trajeto entre a casa e o trabalho em Salvador (BA). Diante da constatação de que em municípios maiores, como o Rio de Janeiro, 25% das pessoas já levam mais de duas horas para fazer o mesmo percurso, ele defende a criação de um fundo de desenvolvimento das grandes cidades, com provisão de recursos necessários e compatíveis com a situação de urgência vivenciada pelo Brasil. “É necessário conter o espraiamento e estimular o adensamento demográfico; privilegiar o transporte público de alto rendimento em redes multimodais; criar novas centralidades, oferecendo as condições dos bairros se tornarem autossuficientes; reduzir o passivo ambiental urbanizando as cidades informais; e modernizar os instrumentos de governança e de planejamento das cidades”, assinala Mascarenhas.
Assinale a frase que mostra uma dupla possibilidade de concordância.