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Ao “amigo do escravo”
Cativo um povo, gemendo
Da vergasta o açoite vil,
Estende os braços convulsos
Vertendo prantos a mil...
Vós despertastes ao grito
Da infeliz escravidão;
Somos amigos, dissestes,
Dos míseros que não têm pão.
Quanta doçura, Deus grande,
Quanta fé e quanto amor,
Nesta esperança que brilha
Do cativeiro no horror!
Remir no mundo os escravos
É curar de Cristo as chagas;
Marchai! Que o suor da luta
Vos doure a fronte em bagas.
Quando um dia o sol brasíleo
Surgir, mimoso de amor,
Aquecendo as faces frias
Do escravo ao seu calor.
Estátuas de luz e vida,
mil renascido à toa,
Tentarão roubar seus raios
Para tecer-vos uma croa!
Ide, librai vossas asas
Da fé no dorso possante!
Acordai Deus, que aniquile
A hidra negra, infamante.
A poetisa Etelvina Amália de Siqueira (1862–1935) notabilizou-se pelo engajamento na causa abolicionista, tematizada no fragmento do poema apresentado, em que o posicionamento do sujeito lírico em relação à população negra escravizada é