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Em tempos pré-modernos, os humanos experimentaram uma espantosa variedade de modelos econômicos. Boiardos russos, marajás indianos, mandarins chineses e caciques de tribos ameríndias tinham ideias muito diferentes sobre dinheiro, comércio, impostos e emprego. Hoje em dia, em contraste, quase todo mundo acredita em pequenas variações sobre o mesmo tema capitalista, e somos engrenagens de uma única linha de produção global. Se os ministros da Fazenda de Israel e do Irã se encontrassem num almoço, eles teriam uma linguagem econômica comum e poderiam facilmente compartilhar agruras.
Porém a homogeneidade contemporânea é mais evidente quando se trata de nossa maneira de ver o nosso corpo. Se você ficasse doente mil anos atrás, importaria muito o lugar onde vivesse. Médicos europeus ou chineses, xamãs siberianos, médicos feiticeiros africanos, curandeiros ameríndios — todo império, reino e tribo tinha suas próprias tradições e seus especialistas, cada um adotando uma visão diferente do corpo humano e da natureza da doença, cada um oferecendo seu próprio manancial de rituais, preparados e curas. A única coisa que unia todas essas práticas médicas era que, em toda parte, no mínimo um terço das crianças morriam antes de se tornarem adultas, e a expectativa de vida média era bem abaixo de cinquenta anos de idade. Hoje, se você adoecer, faz muito menos diferença o lugar onde vive. Em Toronto, Tóquio, Teerã ou Tel Aviv, será levado a hospitais parecidos, onde médicos com aventais brancos seguirão protocolos idênticos e farão exames idênticos para chegar a diagnósticos muito semelhantes. Ao que tudo indica, todos acreditam que o corpo é formado por células, que doenças são causadas por patógenos e que antibióticos matam bactérias.
O uso do sujeito oculto na oração “será levado a hospitais parecidos” (l. 26) constitui um recurso de coesão textual, na medida em que é possível inferir um sujeito referencial, mesmo sem a presença de um termo anafórico.